Medidas contra a pandemia

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 13 Novembro 2020
Medidas contra a pandemia
  • Rui Mendes

 

 

A enorme expressão dos números de infetados e mortos resultantes da covid-19 obrigou o Governo a ter de reagir.

Ontem foi reportado mais 5839 casos de novos infetados e mais 78 mortes. O número de novos surtos vai acontecendo por todo o país, e cada vez de maior dimensão.

O crescente número de infetados dificulta, para não dizer que impossibilita, a quebra de cadeias de transmissão da doença, condição sine qua non para reduzir contágios.

O Governo atualizou a lista do número de concelhos que ficam sob estado de emergência. Aos 121 concelhos que estavam listados, o Governo retirou 7 e colocou mais 77. A partir deste fim-de-semana ficaremos com 191 concelhos em estado de emergência, ou seja, aproximadamente dois terços do país ficarão sob as medidas especiais de confinamento.

Com este cenário é evidente que são necessárias medidas que permitam reduzir os números.

Devemos criticar o Governo por agir tardiamente. Mais uma vez as medidas são tomadas quando a situação é dramática.

Estamos em pandemia, e enquanto durar este estado não podemos baixar a guarda e devemos manter ativas as medidas que conduzam ao seu controlo.

Pouco, muito pouco foi feito para nos defendermos desta segunda vaga, que se sabia que ia acontecer.

As medidas apresentadas apresentam fragilidades, levantando logo à partida dúvidas.

As soluções para apoiar a economia deviam ser apresentadas em simultâneo. O Governo não o faz porque as respostas tardam em aparecer.

Sobre as medidas importará referir:

1)   são um mal necessário;

2)   não são adotadas em tempo devido, quando poderiam ter tido um maior efeito;

3)   os seus resultados só serão visíveis daqui a duas ou três semanas;

4)   Algumas medidas são de duvidosa eficácia, porque se irá praticar um fraco confinamento, por curtos períodos, permitindo que todos possam recorrer ao comércio e serviços nos períodos de não confinamento, criando condições para maiores ajuntamentos de pessoas;

5)   As medidas terão forte impacto em alguns setores da economia, em setores que têm sido fortemente atingidos durante todo o período pandémico, pondo em causa a sua continuidade e originando a perda de emprego.

A verdade é que todo este processo tem sido gerido pelo executivo de uma forma titubeante. Sempre com a preocupação de mostrar que tudo está preparado, mesmo quando sabemos que não está.

Posto isto, a nossa esperança estará no esforço, na dedicação e na competência dos profissionais de saúde. São eles que são o elo mais confiável neste combate à pandemia, ainda que a capacidade dos serviços de saúde caminhe para a sua saturação, em resultado do constante crescimento do número de infetados.

Como boa nova é sabermos que a vacina anti-covid, desenvolvida conjuntamente pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech poderá entrar em produção ainda este ano. É um sinal positivo e que poderá ser o princípio do fim da vigência da pandemia.

Até para a semana

Rui Mendes

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