Medina apresenta OGE

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 14 Abril 2022
Medina apresenta OGE
  • Alberto Magalhães

Aparentemente, o OGE apresentado ontem por Fernando Medina é mesmo o Orçamento negociado em geringonça e em geringonça chumbado, em Outubro de 2021, a que acrescem algumas adaptações ao despertar inflacionário destes tempos de guerra. É um Orçamento de curto prazo, que depende da evolução da conjuntura mundial.

Não sendo economista e não tendo escrutinado pessoalmente os meandros da proposta de Orçamento, limito-me a apontar aqui o que me pareceu de mais positivo na apresentação do documento pelo ministro das Finanças, o que me cheirou a verdadeiro passe de mágica e, lamento, o que me parece uma insignificância desastrada: o aumento, em relação a 2021, de meros 2,5% no orçamento da Defesa, quando 2,5% de quase nada, quase nada é, sobretudo em tempos de guerra.

Avalio positivamente a declarada determinação de Medina para obter um défice de 1,9%, com o objectivo de manter a confiança dos mercados e assim conseguir juros mais baixos, numa época em que a sua tendência é para subir, conseguindo, ao mesmo tempo, reduzir a dívida pública para perto dos 120% do PIB.

Mas, em resposta à questão “se este ano a inflação for de 4%, aumentar os ordenados e pensões em 4% não será forçar a espiral inflacionista, apenas repor o poder de compra dos funcionários”, Medina tratou de falar do aumento dos custos de produção, como motor da inflação, transformando a função pública, num passe de verdadeira magia, num parque industrial. Peço desculpa, mas cheirou-me a truque. Só isso.

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