Morreu Bibi Anderson

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 15 Abril 2019
Morreu Bibi Anderson
  • Alberto Magalhães

 

 

Enquanto estudante universitário em Lisboa, tive, a partir de 1969, a possibilidade de alargar os horizontes da minha cultura cinematográfica graças, por um lado, ao Cineclube Universitário e, por outro, às quinzenas temáticas do cinema Monumental onde, por dez escudos, se tinha acesso ao segundo balcão e se podia assistir, em ecrã gigante, aos clássicos e menos clássicos da sétima arte. Papar, em 15 dias, meia-dúzia de obras da Nouvelle Vague – Godart, Trufaut, Chabrol, Resnais – ou de gigantes como Carl Dreyer e Frederico Fellini.

À minha mente, jovem e impressionável, tudo parecia novo e magnífico, mesmo algumas xaropadas que hoje teria dificuldade em aguentar até ao fim. Até que o 25 de Abril de 1974 viesse abalar todas as rotinas e muitos valores, passei cinco anos de intensa cinefilia, em que, pouco a pouco, foram sobressaindo dois nomes: o do britânico Stanley Kubrick, sobretudo, nessa altura, por causa do espanto de 2001, Odisseia no Espaço e, mais antigo, mas também impressionante à sua maneira, o do sueco Ingmar Bergman.

Filmes de Bergman, como O Sétimo Selo, Morangos Silvestres ou Persona, emocionaram-me, fizeram-me pensar e educaram a minha sensibilidade estética. Neles, pela sua beleza e jovialidade, ao lado da mais séria e não menos bela Liv Ullmann, impressionava a actriz Bibi Anderson. Morreu ontem, aos 83 anos. Apesar de ter participado em 90 filmes, eu só me consigo lembrar dela nesses três, que tanto me marcaram.