Morreu Diniz de Almeida, o interior está moribundo

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 17 Maio 2021
Morreu Diniz de Almeida, o interior está moribundo
  • Alberto Magalhães

 

 

Por vezes, torna-se difícil escolher o assunto para esta breve nota diária. Porque são vários a merecer atenção. Hoje, é um desses dias. Deixem-me referir apenas dois, apesar de outros serem igualmente dignos de nota.

Em primeiro lugar, uma referência à morte por Covid-19, ontem, de Diniz de Almeida, capitão de Abril, o ‘Fittipaldi das Chaimites’, comandante do RALIS durante o PREC, visitado por Jean-Paul Sartre depois do 11 de Março e preso no 25 de Novembro. Até à morte, foi voluntário no trabalho com os mais pobres. Ainda bem que perdeu a luta pela revolução tal como a concebia, mas é justo dizer que foi um homem de carácter.

Depois, merece ser assinalado que, hoje, faz três anos que um grupo de personalidades, entre as quais Jorge Coelho, Rui Nabeiro e Silva Peneda, se juntaram como Movimento pelo Interior e entregaram aos presidentes da República e da Assembleia da República e, também, ao primeiro-ministro, um documento onde mostravam o enorme desequilíbrio entre o litoral e o interior, com números gritantes: que 70% da população do continente vivia numa faixa litoral com 50 km de largura; que nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto viviam 45% dos portugueses; pior, que, no litoral, viviam 82,4% dos jovens com menos de 25 anos. Isto, para só citar a demografia.

Hoje, três anos passados, voltam à carga no jornal Público, afirmando que tudo está praticamente na mesma, apesar de algumas tímidas medidas. Dizem temer que os programas nacionais como o ‘Plano de Recuperação e Resiliência’, o ‘Portugal 2030’ e o ‘Plano Nacional Ferroviário’, mantenham uma disparidade avassaladora no investimento público entre litoral e interior. Oxalá estejam enganados.

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