Morreu George Steiner

Nota à la Minuta
Terça-feira, 04 Fevereiro 2020
Morreu George Steiner
  • Alberto Magalhães

 

 

Dias depois da comemoração dos 75 anos sobre a libertação do campo de extermínio nazi de Auschwitz, morreu George Steiner, judeu de origem austríaca, que em 1940, com onze anos, fugiu para os EUA, tornando-se um dos grandes pensadores da cultura ocidental. Ensaísta, crítico literário e professor de Literatura Comparada; poeta, linguista e filósofo, tem várias obras publicadas em Portugal.

Numa delas, com o título “Errata: Revisões de uma vida”, a propósito de 2000 anos de perseguição aos judeus, interroga-se: “será que o Ocidente cristão e o islão não viveriam realmente de modo mais humano, com a consciência mais tranquila, se o problema dos judeus fosse ‘resolvido’ (a tal ‘solução final’?)”. Para depois contrapor: “Todavia, com que radiosa desproporção os judeus têm contribuído para o estado da civilização […] Para o bem ou para o mal, Roma e Meca são filhas (matricidas?) de Jerusalém”. De seguida espanta-se, como eu me espanto, com a quantidade, estatisticamente improvável, de judeus geniais e profundamente influentes nas artes, no pensamento e nas ciências. Como sinal, diga-se que uma quantidade espantosa de prémios Nobel foram atribuídos a judeus.

Perguntou Steiner: “Poderão a cultura e a história ocidental passar sem os seus judeus? Como opinou Heine, o mais cáustico dos auto-ironistas judeus, até as raças puras precisam das suas pulgas”. Nomeio aqui algumas, que talvez dispensem apresentações: Espinosa, Karl Marx, Sigmund Freud, Albert Einstein, Marcel Proust, Franz Kafka, Gustav Mahler, George Gershwin, Kurt Weill, Steven Spielberg, Woody Allen, Roman Polanski, Hannah Arendt, Isaac Asimov, Clarice Lispector, Saul Bellow, Paul Auster, Philip Roth e, claro, George Steiner. Os anti-semitas, talvez não passem de invejosos.

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