Na cauda da Europa

Sexta-feira, 11 Fevereiro 2022
Na cauda da Europa

 

Na primeira página da última edição do semanário Sol refere-se:

“Costa elege como objetivo sair da cauda da Europa”

Quando Portugal entrou para a União Europeia, em 1986, juntamente com a Espanha, era compreensível ocuparmos um dos últimos lugares do ranking dos países menos desenvolvidos da União Europeia, pois todos os países que integravam a UE possuíam níveis de desenvolvimento econômico superiores aos de Portugal. Espanha e Grécia seriam, juntamente com Portugal, os países economicamente mais débeis, com menores níveis de crescimento económico.

A construção da União Europeia passaria precisamente por uma solidariedade entre os países mais ricos para com os países mais pobres, permitindo assim reduzir assimetrias entre países e dar à Europa estabilidade social e económica e, consequentemente, um território de paz.

Esse terá sido o princípio que os seis países fundadores da Comunidade (RFA, França, Bélgica, Itália, Holanda e Luxemburgo) estabeleceram e que os demais países que a vieram a integrar (Reino Unido, Dinamarca e Irlanda em 1973, a Grécia em 1981 e a Áustria, Suécia e Finlândia em 1995), quiseram dar continuidade.

Contudo, em 2004, a UE integrou 10 novos países, a sua maioria países que integravam o espaço de influência da ex-União Soviética (Eslovénia, Eslováquia, República Checa, Estónia, Letónia, Lituânia, Hungria e Polónia) pelo que chegaram à União Europeia com economias fracas, resultado de terem integrado o bloco comunista com economias fechadas e altamente controladas.

Os outros dois países que integravam este grupo de dez foram o Chipre e Malta, países de pequena dimensão e periféricos, sendo territorialmente ilhas, pelo que passaram a integrar a União com economias pouco competitivas.

Em 2007 a UE integra a Bulgária e a Roménia, também países que vinham do espaço político-económico da ex-União Soviética, e em 2014 a Croácia, um dos estados que integrava a ex-Jugoslávia.

Ora, se até 2004 ainda se consegue compreender que Portugal fosse um dos países pobres da UE, a partir daquele ano isso deixou de ser compreensível, tal era o atraso económico dos novos países integrados em 2004, 2007 e 2014 relativamente a Portugal. Como referimos praticamente todos eles tinham sofrido influência da ex-União Soviética com as suas economias ideologicamente controladas pelo comunismo durante mais de 45 anos.

A partir daqui a economia portuguesa estagnou, praticamente não apresenta crescimento digno de registo e, consequentemente Portugal começa paulatinamente a ser ultrapassado por alguns destes países em termos de crescimento económico.

Pior ainda, se observarmos o nosso PIB per capita verificamos que ele pura e simplesmente não cresce nos últimos 20 anos, enquanto todos os países que tinham um rendimento per capita bastante inferior ao português ou já o ultrapassaram, ou então apresentam, ano após ano, uma evolução positiva, permitindo que a melhoria económica dos seus povos.

Dos vinte e sete países que integram a UE apenas sete apresentam um PIB per capita inferior ao português. Contudo, enquanto o PIB português encontra-se a divergir, os demais encontram-se a convergir com o PIB médio per capita da UE.

Em Portugal assiste-se a um empobrecimento ano após ano.

Este é o quadro em que nos encontramos.

Agora Costa parece estar preocupado com o problema.

Mas não esqueçamos que António Costa é primeiro-ministro há 6 anos, como não esqueçamos que este primeiro-ministro, e tantos dos atuais membros do governo, integraram o governo de José Sócrates que durou 6 anos, como não esquecemos que os socialistas governam este país desde março de 2005, apenas não o tendo feito durante o período difícil de aplicação de programa de ajustamento (entre 2011 e 2015), ou seja, nos últimos 17 anos os socialistas governaram durante 12 anos.

Daí que só poderemos concluir que têm sido os socialistas a colocar o país na cauda destes indicadores e a não conseguir que o rendimento per capita dos portugueses cresça.

Para mais, se compararmos os efeitos dos fundos europeus verificamos que eles têm resultados mais positivos noutros países, desde logo porque as suas economias crescem e isso reflete-se nos respectivos PIB per capita. Aqui a principal preocupação é termos uma boa execução financeira desses fundos. Para os outros é ter um bom retorno econômico da aplicação dos fundos. É tudo uma questão de visão e de políticas. E por isso vamos sendo ultrapassados.

Agora querem que acreditemos que vão fazer diferente. Pois, se tivessem esse ADN já certamente o teriam feito.

A diferença é que o pacote de fundos desta vez será maior, mas não cremos que os efeitos da sua aplicação sejam substancialmente diferentes.

Até porque os atores políticos são os mesmos, como as políticas a seguir não serão diferentes.

 

Até para semana

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