Nada de relaxações

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 13 Dezembro 2021
Nada de relaxações
  • Alberto Magalhães

A OMS informou ontem que os dados disponíveis apontam para três conclusões provisórias sobre a variante Ómicron do novo coronavírus: 1º, tem uma elevada taxa de transmissibilidade, tendendo a espalhar-se mais depressa do que a variante Delta, admitindo-se que venha a substitui-la como dominante; 2º, parece provocar sintomas “ligeiros a moderados”, não se registando nenhuma morte nos 63 países onde já está presente; 3º, é possível que esta variante seja mais resistente às actuais vacinas, no sentido de estas não baixarem significativamente a sua taxa de transmissibilidade. A informação da OMS, que nos chega através da agência Lusa, nada diz, infelizmente, sobre a possível maior capacidade da Ómicron para as reinfecções.

Pode, no entanto, dizer-se para já que – longe de ser um motivo de alarme – o aparecimento desta variante pode muito bem ser uma boa notícia, como eu tentei mostrar na passada sexta-feira, assim se confirme a sua razoável benignidade.

Mas, como corríamos o risco de ficarmos todos mais aliviados e, sei lá, relaxados, a Dr.ª Graça Freitas, esse génio da comunicação em Saúde Pública, teve de intervir para nos desinquietar em relação à vacinação das crianças. Interveio pois, de forma expedita e perspicaz, insistindo, durante três dias, em manter secretos os pareceres dos “Especialistas”, ou seja, da Ciência”, provocando, mesmo nos mais ferrenhos defensores da vacinação, a saudável suspeita de que haveria algum risco que as autoridades queriam manter na sombra.

Apesar do primeiro-ministro ter vindo a terreiro pedir a divulgação dos papéis, a táctica da DGS já estava em marcha. Mais pais a protelar a vacinação dos seus petizes, para ver em que param as modas… menos filas, menos reclamações, mais regabofe anti-vacinação. Bem pensado.

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