Não são rosas, são chamas!

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 18 Outubro 2017
Não são rosas, são chamas!
  • José Policarpo

 

 

As chamas que fustigaram este ano muitos dos nossos concelhos, sobretudo no centro e no norte do país, causaram danos nunca vistos e em muitos casos irreversíveis. Morreram dezenas de pessoas, muito perto de uma centena. A área ardida ascende a quase 200 mil hectares – 200 mil campos de futebol – e a perda de bens deve ser inquantificável – neste número integram-se muitas, mesmo muitas casas de habitação própria!

É verdade que o ano em curso está ser manifestamente quente e seco, no último domingo tivemos segundo os meteorologistas, temperaturas anormalmente elevadas para esta época do ano. O verão também fora muito quente e seco. Tudo isto é verdade. Por isso, foram criadas as condições climatéricas perfeitas para a ignição de fogos. Porém, o número e a extensão dos incêndios, mesmo para um leigo na matéria como é o meu caso, são absolutamente incompreensíveis.

O certo é que em Espanha, França, Itália e Grécia, países mais florestados do que o nosso e com climas idênticos ao nosso, a área ardida foi manifestamente inferior à nossa. Ora, impõe-se a pergunta que para mim é mais do que evidente: O que é que estes países fazem para não terem sido tão expostos aos incêndios, como o nosso país foi?

A esta resposta o Governo não pode nem deve furtar-se. O governo português tem de explicar aos seus administrados – o povo – quais são as causas desta calamidade. Se as medidas e a politica de prevenção de incêndios são as adequadas. Se há falta de meios. Se a política do ordenamento florestal está alinhada com as melhores práticas internacionais. Não são “rosas” que estão em causa, são vidas humanas e que merecem um tratamento digno por parte de quem tem o dever de lhes garantir a proteção das suas vidas e dos seus bens.

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