Não se discutiu a Defesa Nacional

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 09 Outubro 2019
Não se discutiu a Defesa Nacional
  • Alberto Magalhães

 

 

Um dos “casos” da campanha eleitoral que deu muito que falar foi o de Tancos. Mas, em mais um sinal de que o importante nunca é discutido, deixou-se na sombra algo determinante para o futuro do país: a situação das Forças Armadas. No entanto, o assalto aos paióis, pondo a nú, por um lado, a degradação das condições materiais de segurança do armamento e, por outro lado, o estado calamitoso do moral das tropas, bem poderia – e deveria – ter levado os candidatos a discuti-la. E os jornalistas a questioná-la, aproveitando até as declarações do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, sobre a situação insustentável nas fileiras, pela falta de efectivos, para trazer à baila, como está a acontecer noutros países europeus, o tema do serviço militar obrigatório.

Mas não, o ministro João Cravinho deu um raspanete no almirante Silva Ribeiro, este meteu a viola no saco, e os media, não havendo a espuma do conflito, desinteressaram-se do fundo da questão e das suas diversas facetas.

Continuamos pois, muito descansados, confiantes de que a nossa segurança como país está garantida, de que o facto de pertencermos à NATO e à União Europeia nos abriga de qualquer hipótese de conflito armado, mesmo quando Trump nos entra pelos olhos, a China acorda belicosa e Putin faz peito a Leste. Mesmo quando o Reino Unido, a potência militar mais convincente da União Europeia, diz “Brexit” a uma União cada vez mais desunida. Parece-me desleixo a mais.