Natal e Cultura

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 07 Dezembro 2022
Natal e Cultura
  • Maria Paula Pita

 

Dezembro, mês do Natal. Gosto desta altura, pelos enfeites, pela música, embora acredite que os comerciantes já abominem a Mariah Carey e o Coro de Santo Amaro de Oeiras.

Durante anos, antes da pandemia, ia até Lisboa, de comboio, ver as decorações de Natal. Deslumbrada com as luzes e com o ambiente natalício, sentido ao andarmos pela Baixa, na rua Augusta e no Terreiro de Paço. Em dias gelados, com a luz inigualável de Lisboa, sentarmo-nos nas esplanadas, percorrer o mercadinho de Natal, andar no trenó, era uma experiência única. Invariavelmente, o meu filho pedia-me para mudarmo-nos para Lisboa. Aproveitávamos para ver umas exposições e ir ao teatro. O Principezinho, Aladino, Rapunzel encheram de sonhos milhares de crianças nesta época mágica.

Depois voltávamos a Évora. Decorações deprimentes. A sensação de um frete realizado.. Não é necessário gastar muito dinheiro, basta haver gosto, vontade e estratégia. Invista-se na zona nobre. Decorações apelativas, chamam os eborenses e, já que estão no coração da cidade, compram no comércio local. Ganha a cidade, os comerciantes, mas também o turismo. Publicidade de boca.Vejam Monsaraz nesta altura.

Estive a ler a programação de Natal, Jardim de Natal, 08 a 18 de dezembro. À exceção do local (bem) e de uma ou outra atividade, é mais do mesmo. Pergunto, onde estão os agentes culturais do nosso concelho? Porque são sempre os mesmos a participar? Porque a CME não promove, com critérios definidos, a partição de todos,  em vez de encomendar sempre aos mesmos.

No dia 02 de dezembro, o Armazém 8 completou 9 anos de existência.Comemorou com um espetáculo que reuniu no mesmo espaço música (fado) e a dimensão artística de expressão popular nas figuras de madeira do Sr. Costa e nos talegos da D. Hermínia. Sala cheia para ouvir o fado, mas também para homenagear, em vida como deveria ser sempre,  Francisco Carvalho, músico eborense, com o prémio José Melo.. O Armazém 8 é mais que uma sala de espetáculos. É um espaço onde se respira cultura, de encontro de todas as artes. Dinamiza diversas atividades que vão ao encontro de TODOS os públicos, não se focando num seletivo nicho. Biodanza, Reiki, Dança Contemporânea e de salão, Yoga do Riso, Oficinas de Música, Meditação, Exposições, canal no youtube, metragens, uma programação rica e diversificada e Teatro… Está integrado na Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses, como o CENDREV.. Para isto, precisa de 300 mil €. A CME contribui com 25 mil! 

Pergunto-me se a CME não anda a gastar mal o seu dinheiro na cultura? Os valores conhecidos para o Artes à Rua, superam um milhão de euros… além do Festival Imaterial e agora o Natal… Só estes 3 eventos, rondam os 2 milhões de euros! 

O Orçamento e as Grandes Opções do Plano estão a ser definidas agora.Há que definir prioridades. E a cultura, nos moldes em que a CME a define, não pode ser a única. 

 

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