Nem uma coisa, nem outra!

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 16 Dezembro 2020
Nem uma coisa, nem outra!
  • José Policarpo

 

 

Estou cansado de aqui identificar os dislates e os disparates deste governo, mas os últimos acontecimentos são demasiado caricatos e graves para os ignorar. O ministro das “policias” Eduardo Cabrita, e o ministro da “TAP”, Nuno Santos, demonstraram à saciedade não estar à altura e nem ter o sentido de Estado, que a função o exige.

Na verdade, a gestão do alegado homicídio de um cidadão Ucraniano, nas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, no aeroporto de Lisboa, levado a cabo por três inspetores dessa corporação, em março último, revelou a insensatez e a inabilidade política do ministro Cabrita. A gravidade dos factos, refiro-me ao que vem noticiado, só por si, deveria ter levado à demissão da Diretora Geral, em março último.

Por outro lado, esta questão, até porque há um precedente nesta matéria, a demissão do então ministro Jorge Coelho, face à tragédia de Entre os Rios, deveria ter tido outra consequência política: a “cabeça” do ministério da administração interna, mal tivesse sido tornado público os contornos do macabro incidente.

No caso da gestão da TAP, para além do aspeto financeiro que representa a sua nacionalização, mais de 4 mil milhões de euros dos portugueses para mitigar o problema, o dissenso entre o ministro da tutela e o primeiro-ministro, é notório e público. O ministro é a favor da votação do plano de restruturação da TAP, pelo parlamento português. Ao contrário, o primeiro ministro defende que a matéria diz respeito ao governo.

Por isso, só restaria uma saída para este dissenso, qual seja, o pedido de demissão do ministro. Pois, assim, ficaremos com um ministro fragilizado, num tempo em que, a complexidade do dossier TAP, exigirá outra autoridade.

Ora, os adiamentos das demissões só desprestigiam os poderes públicos e, consequentemente, no acentuar da divisão entre o poder e os administrados. Não se admirem, pois, que os populismos venham a ganhar força e legitimidade, com estes episódios. Ao Estado cabe pugnar pelo respeito das leis e o fortalecimento da sua legitimidade. Nada disto estar a ser feito.

Por último, quero deixar uma palavra de pesar e de consternação à Polícia da Segurança Pública e, em especial à família enlutada, pois o falecimento do Agente António Doce, pelas notícias que têm vindo a público, teve contornos, absolutamente, repugnáveis. Estou certo, que, este trágico incidente, não nos deixará, a todos, indiferentes.

Boas festas para todos e em segurança!

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