Nepotismo e altruísmo recíproco

Nota à la Minuta
Terça-feira, 09 Abril 2019
Nepotismo e altruísmo recíproco
  • Alberto Magalhães

 

 

Ao princípio parece estranho mas, se nos detivermos um bocadinho a pensar, conseguimos perceber a lógica: todos nós, seres vivos – humanos ou não-humanos – possuímos os genes de antepassados que, em primeiro lugar, conseguiram sobreviver até se reproduzir, e, em segundo lugar, cuidaram da família de modo a potenciar a sua sobrevivência, de geração em geração, até nós, no presente.

O nepotismo, o favorecimento da nossa própria família, está-nos, por isso, na massa do sangue. Mas as sociedades humanas não teriam evoluído como evoluíram, sem mecanismos que nos permitem ultrapassar o nepotismo para cooperarmos em comunidade. A espécie humana foi-se dotando de sentimentos como a simpatia e a gratidão para com os vizinhos, o remorso que nos lembra as nossas faltas para com os outros e o ressentimento que nos alerta quando são os outros a falharem em relação a nós.

Costuma chamar-se altruísmo recíproco ao mecanismo que permite a ajuda, aparentemente desinteressada, mas que pressupõe, implicitamente, uma futura retribuição. “Eu faço-te um favor hoje e fico à espera de que tu, num futuro indeterminado, o possas retribuir”.

Resta dizer que nepotismo e altruísmo recíproco, sendo processos naturais e básicos na espécie humana, são corrosivos das democracias, que devem constantemente defender-se dos efeitos deletérios dos favorecimentos familiares e da troca de favores que às vezes dão pelo nome de “cunhas”.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com