No fio da navalha

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 16 Junho 2022
No fio da navalha
  • Alberto Magalhães

Ai, ai, ai, que a subida das taxas de juro das dívidas públicas dos países do Sul já estava a acelerar e teve de vir o Banco Central Europeu acudir à situação, com o anúncio da criação de “um novo instrumento contra a fragmentação” da zona euro, ou seja contra uma nova divisão entre países frugais (os ricos do Norte) e países lambazes (os perdulários do Sul), numa segunda edição da crise de há uma década atrás que só se apaziguou, lembremo-nos, quando Mário Draghi, então governador do BCE, se comprometeu a fazer tudo para salvar o euro.

Desta vez, coube a Christine Lagarde proferir as palavras que tranquilizaram os mercados e inverteram a trajectória dos juros. Mário Centeno, nosso representante no BCE, veio reforçar que este tomará as medidas necessárias para impedir a escalada das taxas, apesar do necessário combate à inflação. Oxalá.

Entretanto, não há como uma boa crise para pôr tudo em aparente movimento. A crise das urgências obstétricas, parece impossível mas despertou, finalmente, António Costa para a existência de “problemas estruturais” no SNS e Marta Themido tratou de anunciar medidas vagas, entre as quais a criação de uma comissão para coordenar as urgências de obstetrícia, o que me leva a perguntar para que servem os técnicos das ARS e do ministério. A táctica de criar uma comissão para suspender a pressão mediático-popular é conhecida há muito em Portugal. Durante o PREC de 1974/75, ficaram célebres as comissões ad hoc, criadas a torto e a direito para entreter as massas. A ministra é demasiado nova para se lembrar, mas aprendeu bem a lição.

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