No rescaldo das eleições

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 13 Outubro 2017
No rescaldo das eleições
  • Rui Mendes

 

 

Estamos na fase de rescaldo das eleições autárquicas realizadas no passado dia 1.

Alguns dos seus efeitos começam agora a ser sentidos.

Importará pois fazer as 3 leituras que se poderão tirar do resultado destas eleições: a nacional, a regional e a local.

Fazemos estas leituras na forma primeira em como estas eleições são avaliadas, pela conquista de presidências de câmara, e não por outra forma como seja pelo número de votos, pela eleição de vereadores, de deputados municipais ou de membros dos executivos das juntas de freguesias.

Os resultados nacionais mostram, com evidência, que houve dois vencedores e dois vencidos.

O principal vencedor foi o PS que ganha 160 presidências de câmara, e reforça assim uma posição de hegemonia ganha em 2013 com a então conquista de 150 presidências (em ambos os casos uma em coligação).

O segundo vencedor foi o CDS que ganhou mais uma presidência de câmara, vencendo 6 câmaras municipais, e porque em listas de coligação contribuiu para a eleição de 19 presidentes de câmara.
Obteve ainda resultados expressivos em Lisboa e Porto, sendo a 2ª força política em Lisboa, e apoiando a lista que venceu, com maioria absoluta, o município do Porto.

O principal derrotado é a CDU. Teve o seu pior resultado autárquico, que se reflecte na perda de 10 presidências de câmaras, algumas delas sempre na sua posse, casos de Almada ou Castro Verde, perdendo também influência na região que o PCP já dominou quase em absoluto. É o grande derrotado.

O segundo derrotado é o PSD que perde 8 presidências de câmaras e é relegado para 3ª força em Lisboa e Porto. Para além das perdas teve também uma notória derrota psicológica.

A CDU terá suportado custos com o apoio à governação, até porque a campanha foi muito centrada em temas nacionais, em especial os indicadores económicos e o pré debate do OE/2018. Veremos qual será o custo final?

Também teremos que referir que as listas constituídas por Grupos de Cidadãos vão fazendo o seu caminho e, de eleição para eleição, vão conseguindo ganhar mais Câmaras (7 em 2009, 13 em 2013 e 17 em 2017).

Os resultados regionais mostram uma predominância na região do PS, partido que ganhou câmaras à CDU e ao PSD.

Quanto aos derrotados na região também aqui haverá que referir dois. A CDU e o PSD. Ambos perdem influência na região e permitem que o PS seja, per si, a força política maioritária na região.

De resto, tirando a vitória de algumas listas qualificadas de independentes, nada haverá a referir.

Já os resultados locais permitiram à CDU garantir a maioria absoluta na câmara municipal elegendo 4 dos 7 vereadores, pese embora tenha uma perda de votos de cerca de 9% em relação ao resultado obtido em 2013.

Interessante é fazermos o exercício do somatório dos votos obtidos pelo PSD e CDS, que permitiria tirar a maioria absoluta à CDU, e naturalmente

daria um certo poder de influência, resultante da eleição de 2 vereadores. É tudo uma questão de visão e de estratégia, ou de falta delas, e de identificar os adversários políticos, algo que parece não ser evidente.

Mas sendo estes os resultados não se prevê assim alterações. Localmente falando teremos mais do mesmo.

Até para a semana

Rui Mendes

 

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