Nós, portugueses, confessamos

Nota à la Minuta
Terça-feira, 19 Janeiro 2021
Nós, portugueses, confessamos
  • Alberto Magalhães

 

 

Ontem, segunda-feira, as televisões desdobraram-se em entrevistas de rua que, noutras circunstâncias menos dramáticas, me dariam para barrigadas de riso. Era vê-los e vê-las fora de casa, a passear o cão, a levantar dinheiro no multibanco, enfim, a arejar, legitimamente, mas todos e todas a queixarem-se do excesso de gente nas ruas. Por fim, veio o primeiro-ministro, anunciar-nos – num registo que a jornalista de um canal referiu como o de um pai chateado com os filhos que se portaram mal – que, sendo assim, teria de apertar as regras e endurecer as sanções.

Manuel Carmo Gomes e Filipe Froes, reconhecidos especialistas, bem podem pregar que o grupo dos 18 aos 25 anos tem o maior valor acumulado em 14 dias, 1550 novos casos por 100 mil habitantes, e que os adolescentes, dos 13 aos 17, são o grupo em que a incidência da infecção mais tem crescido nas últimas semanas. As escolas ficam todas escancaradas porque são um lugar seguro, diz um Governo que desconhece a origem de 87% das infecções.

Ricardo Mexia, representante dos médicos de Saúde Pública, bem pode pedir, há meses, um reforço formidável do número de gente dedicada a rastrear as cadeias de infecção. O Governo acha que pode ignorar essa falha porque nós, o povo, com uma pequena ajuda sua, já conseguimos identificar os verdadeiros culpados, eles, os portugueses.

Para que não haja dúvidas de onde vem o mal que nos está a matar, o Governo alertou as autarquias para que interditassem as orlas marítimas dos seus concelhos. O vírus, como se sabe, sabe nadar e gosta de cavalgar a brisa salgada. Não há palavras!

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