Novo Ano, o desejo de sempre

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 28 Dezembro 2017
Novo Ano, o desejo de sempre
  • Eduardo Luciano

 

 

Há quem viva a vida a olhar para o retrovisor e há que não tenha retrovisores na vida que vive.

Esta é aquela crónica fatídica em que é preciso decidir se fazemos o balanço do ano que finda ou se nos arriscamos a olhar para o que agora começa.

O balanço do que passou é mais seguro, permite jogar pela certa e evita a perspectiva de lidar com a incerteza e com as expectativas, essas coveiras da esperança.

Que queremos nós do ano que agora vai começar? Os mesmo desejos de sempre? A mesma ambição de muita saúde e prosperidade? Aquela viagem que nunca fizemos, aquele livro que nunca escrevemos, aquela atitude que nunca tomámos?

Os desejos de ano novo deveriam ser sempre marcados pela possibilidade de os concretizarmos e não pela intenção de o fazermos, mas isso implicaria levantarmo-nos do sofá e fazermos e nem sempre estamos preparados pra tal trabalheira.

Este será o ano decisivo para se perceber até onde poderá ir a recuperação de direitos, que a perspectiva da solução política encontrada em 2015 nos prometeu. Será o ano em que a linha traçada pelo partido do governo, de ir tão longe quanto possível sem por em causa os ditames da União Europeia, sem promover a ruptura com a política seguida nos últimos quarenta e dois anos.

Aproxima-se o momento em que a contradição de base entre o discursos e a prática se irá tornar insanável e onde não mais será possível dizer que se avançou quando na prática apenas se olhou com expectativa para a possibilidade do avanço.

Em 2018 os cucos irão tentar facturar mais em seu proveito o que foram as lutas e as propostas de outros e o dono do ninho irá aumentar a arrogância perante a perspectiva de não precisar de outros parceiros para se manter no poder.

Vai ser um ano duro e difícil para os defensores do progresso e um ano em que o distribuidor oficial de beijos e abraços irá fazer o que melhor sabe, a intriga palaciana com linguagem de rua.

Apesar de tudo isto, acredito na capacidade de luta tenaz e persistente que levará a bom porto com ganhos significativos, este imenso navio construído numa contradição que o impossibilitaria de navegar e que, com pequenos ajustes avança a velocidade lenta algumas vezes no rumo certo.

Já agora, que a título pessoal, em 2018 sejam capazes de fazer como alguns fizeram em 2017, virarem-se do avesso, mudarem de rumo e assumirem que, como dizia o outro, virem-se para onde se virarem o caminho é sempre em frente.

A minha querida prima Zulmira aproveita o ensejo para desejar aos mais azedos e amargos que se reconciliem com a vida, que cresçam, que não se atribuam tanta importância e que não se mordam por engano. A raiva ainda não é doença totalmente erradicada.

Até para a semana

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