Novo confinamento

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 15 Janeiro 2021
Novo confinamento
  • Rui Mendes

 

 

Estamos a viver um momento dramático da pandemia. Os números de infetados, de novos infetados, de internados e de mortos, todos eles, são de tal modo expressivos que ultrapassam o pior dos cenários que pudéssemos imaginar.

E isto acontece porque somos governados por pessoas que vão sempre empurrando os problemas com a barriga. Que evitam tomar as decisões no momento correto, sempre na esperança de que a coisa se resolva por si. Só que a dada altura deixa de ser possível continuar a empurrar, sob pena de cairmos no abismo.

Há uma enorme quota-parte de responsabilidade do Governo no crescimento destes números.

E agora só nos resta um novo confinamento. Ou melhor, um parcial confinamento. Porque no meio desta balbúrdia de medidas, definidas à última hora, há setores em total confinamento, outros em total normalidade. Foi o que se arranjou. Tudo aparentemente muito pouco pensado.

Desde hoje que estamos de novo em confinamento geral. Existe um dever geral de recolhimento obrigatório.

Uma coisa é certa. Medidas que prevejam confinamento e distanciamento, que sejam aplicadas com rigor, permitirão resultados mais rápidos na redução da propagação do vírus. Para além do mais a propagação do vírus não se combate apenas com confinamento.

Em período de pandemia não há que dar espaço, não se facilita, é preciso constantes alertas e medidas que sejam eficazes e de fácil apreensão pelos cidadãos. Medidas tomadas em devido tempo. O que nos tem sido oferecido pelo Governo não é nada disto. Daí que tenha havido algum relaxamento. Daí que os números da covid em Portugal sejam bastante preocupantes.

É visível que o Governo agora terá de correr atrás dos prejuízos.

É suposto que as medidas agora decretadas vigorem para além de 30 de janeiro.

Não será possível, por manifesta falta de tempo, comentar aqui todo o conjunto das medidas definidas pelo Governo.

Contudo, a continuidade da abertura das escolas merece especial reparo pelo conjunto de contradições que a medida comporta.

No ano passado entendeu-se que o ensino à distância tinha conseguido assegurar o funcionamento e o termo do ano letivo com alguma normalidade, e que tinha funcionado muito bem. Ainda que se tenham ouvido algumas vozes apontando que o ensino à distância veio expor as assimetrias existentes e as desigualdades socioeconómicas das famílias, o que se refletia no desempenho escolar. Este sucesso teria sido conseguido não só pela capacidade de ministrar as aulas por forma virtual, mas também pela implementação das emissões diárias da telescola.

Este ano entendeu o Governo que o ensino presencial é fundamental para o normal funcionamento das escolas, e que não poderá ser substituído, ainda que apenas durante o período do confinamento.

Contudo, estejamos certos de que escolas abertas envolvem um maior risco de contágio.

Um professor lida diariamente com várias dezenas de alunos – leia-se, várias dezenas de famílias – em espaços “fechados”, pelo que, por muito que se protejam as escolas, não deixam de ter um risco associado.

Como sabemos apenas é conhecida a origem de uma pequeníssima percentagem de contágios, abaixo dos 15%, pelo que não poderemos saber, nem dizer, onde a maior parte dos contágios acontece.

Se o Governo tivesse a intenção de manter as escolas em funcionamento, deveria ter considerado a comunidade escolar como prioritária para a vacinação. Era este o dever do Governo, quer como medida de saúde pública, quer também como forma de defender estes profissionais.

Que se assuma que fechar as escolas criaria, acima de tudo, um enorme problema financeiro ao país. Razão por que politicamente se decidiu por manter as escolas em funcionamento. Não se arrume um discurso para justificar o que tem outra razão.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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