Novo máximo da dívida pública

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 08 Julho 2022
Novo máximo da dívida pública
  • Rui Mendes

 

 

A dívida pública de Portugal atingiu um novo máximo, em maio apresentava um montante de 280,4 mil milhões de euros, tendo aumentado, apenas num mês, 1,3 mil milhões de euros.

O Banco de Portugal esclareceu que este aumento da dívida deve-se fundamentalmente ao empréstimo de 600 milhões de euros concedido através do Mecanismo de Recuperação e Resiliência.

Na verdade, para o cidadão comum, pouco interessa quais as razões que originam este constante crescimento da dívida pública, sejam por razões de gestão da maturidade da dívida, por necessidades de financiamento, por novas emissões de títulos de dívida, ou por uma outra qualquer razão.

O que se verifica é que a dívida pública nominal não para de crescer. Em abril havia atingido os 279 mil milhões de euros, tendo crescido 3 mil milhões. Entre abril e maio a dívida cresceu 4,2 mil milhões de euros.

Custa a entender este permanente crescimento da dívida pública, desde logo, porque a receita fiscal do Estado foi em 2021 a mais elevada de sempre, representando 35,8% do Produto Interno Bruto, e em 2022 provavelmente atingirá um valor superior, o que deveria permitir que o Estado se pudesse “governar” sem recorrer sistematicamente ao endividamento.

No entanto, para os mercados, o indicador relevante é o do rácio da dívida relativamente ao PIB. Neste caso, atendendo a que o PIB tem apresentado um crescimento positivo, a dívida pública apresenta uma tendência de descida, apresentando um rácio de 127% do PIB no primeiro trimestre de 2022. Ainda assim, trata-se da terceira maior dívida de entre os países da UE.

Os tempos que atravessamos são de instabilidade mundial, com fortes impactos nas economias dos países. Se aumentar a dívida num outro contexto já seria algo pouco ou nada indicado, no contexto atual é algo absolutamente errático, que nos enfraquece enquanto pais.

É tempo de olhar para a dívida pública nominal como um dos grandes problemas do país e saber que a resposta terá que ser no sentido da sua redução e não do seu agravamento.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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