Num futuro algo distante

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 04 Junho 2020
Num futuro algo distante
  • Alberto Magalhães

 

 

A história passava-se num futuro algo distante. Com o passar do tempo, o aumento da esperança de vida e da riqueza, haviam trazido uma taxa de natalidade drasticamente baixa para a espécie humana. O desenvolvimento da Inteligência Artificial e da Robótica tinha tornado dispensáveis a maioria dos profissionais. As máquinas cultivavam os campos, colhiam e faziam a distribuição dos alimentos; fabricavam todos os produtos e, em breve, seriam capazes de se auto-melhorar.

Os seres humanos, cada vez mais embrenhados nos mundos virtuais postos à sua disposição e cada vez mais temerosos de serem infectados pela próxima peste, tinham posto de lado, definitivamente, os encontros em carne e osso. Até porque os hologramas, cada vez mais perfeitos, permitiam que se visitassem e convivessem, sem saírem de suas casas. Os dispositivos de sexo virtual e os robôs eróticos faziam parte do quotidiano de toda a gente. Aliás, não poderia ser de outro modo, já que as pessoas tinham deixado de suportar o cheiro umas das outras. Felizmente, os úteros artificiais e as amas e perceptoras robóticas permitiam a criação de descendentes sem a intervenção dos progenitores, para além da doação de ADN.

Li uma história mais ou menos assim, há muitos anos. Tantos que esqueci o nome e o autor e nunca mais a encontrei. Os filhos do Ronaldo e das mulheres que querem filhos sem pai, faziam-na vir, esporadicamente, à memória. Os jovens que se recusam a sair e convivem nas redes sociais, também. Nos últimos três meses, tenho-a procurado com mais afinco. Até agora, em vão!

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