O absurdo mercado da arte

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 09 Dezembro 2019
O absurdo mercado da arte
  • Alberto Magalhães

 

 

Alguém comprou uma banana, colada à parede com fita adesiva, por 108 mil euros? E um urinol exposto, em 1917, por Marcel Duchamp, vale hoje um milhão e 590 mil euros? A edição de hoje do jornal i diz que sim, titulando na primeira página “A Arte do Absurdo”. Não sei se a intenção do i é filosoficamente sincera, se pretende transmitir a ideia de que chamar àquilo arte é completamente absurdo.

Mas adiante. Também o Público de hoje (e creio não ser coincidência) refere a mesma banana, “uma banana madura colada à parede”, exposta em Miami, e adianta que o fruto representa – pensem bem na profundidade da coisa – nem mais nem menos que o “comércio global”.

A obra, da autoria do italiano Maurizio Cattelan – já depois de adquirida por um coleccionador – foi comida pelo nova-iorquino David Datuna, que se disse cheio de larica. Quando admoestado pela galerista, David apresentou-se como artista e referiu que se servira da “instalação” do Maurizio, colega que muito apreciava, para fazer a sua performance, aliás muito aplaudida pelos outros visitantes, que aproveitaram para tirar umas fotos e fazer uns vídeos, talvez na esperança de que valha bom dinheiro no mercado da arte… do absurdo.

Outro italiano, refere ainda o i, Pietro Manzoni, artista de fazer dinheiro com desarmante sinceridade, arrecadou uma pipa de massa em 1961, com um latinha de 30 gramas de merde d’artiste, como assinalado no rótulo, não fosse alguém mais incauto tomá-lo por outra coisa. A latinha vale hoje 275 mil euros, o que diz tudo sobre o absurdo mercado da arte.

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