O Alentejo é presente

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 17 Fevereiro 2021
O Alentejo é presente
  • José Policarpo

 

 

Li no último fim de semana que, a transportadora aérea portuguesa, tem prejuízos mensais de cerca de 80 milhões de euros. Se ainda há alguém que ainda não percebeu a dimensão deste valor e suportado em última análise pelos contribuintes portugueses, significa a construção de um hospital central de dois em dois meses.

A esquerda demagógica e sem vergonha e alguma direita dissimulada, apelidam estas posições de populistas, com o argumento de que a TAP tem uma importância na diáspora portuguesa, emprega mais de 10 mil trabalhadores e faz “mexer” a economia junto de empresas com atividade ligada ao transporte aéreo.

Tudo isto não é irrelevante, mas qual será o preço a pagar. Hoje fala-se que serão cerca de 4 mil milhões de euros, o preço para a construção de 25 hospitais iguais àquele que será construído em Évora. Mais de um hospital por capital de distrito.

Ora, é disto que estamos a falar e é este o preço que país está disposto a pagar. Será que os Alentejanos estão cientes desta realidade, não sei. Mas sei que estas decisões terão custos sociais no interior do país muito significativos. A população no Alentejo, como é consabido, é muito envelhecida e muito necessitada de cuidados de saúde. A necessidade de um novo hospital central no Alentejo há muito que é uma realidade, mas ainda está no papel.

Pelo que estas decisões têm consequências inaceitáveis num país que se diz democrático, defensor da unidade e coesão territoriais. O Alentejo não tem quem o defenda, por falta de representatividade e por incompetência política. Por isso, quando comunistas, bloquistas e socialistas, vêm reivindicar mais e melhor saúde para aqui, não passam de lágrimas de crocodilo. A verdade nua e crua é que os orçamentos de Estado passam e o Alentejo é sempre uma questão para depois, adiada. E, não é. O Alentejo é presente!

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