O Algarve e o Fim da Humanidade

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 05 Junho 2019
O Algarve e o Fim da Humanidade
  • Alberto Magalhães

 

 

Luís Dias, coordenador científico do Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas, vulgo PIAAC, não podia ser mais peremptório, nas suas declarações à agência Lusa, sobre a emergência climática algarvia, como agora sói dizer-se: até ao final do século – repare-se bem na largueza da previsão, ela vai até 2100 – “a mortalidade no Algarve associada a eventos particularmente quentes pode subir de 2% para 7%” – espanto-me com a brutalidade dos números – sobretudo no sotavento, para os lados de Alcoutim. Ainda uma pérola inesperada do PIAAC, capaz de deixar estupefacto o mais fleumático cidadão: “em cenário de alterações climáticas, Julho e Agosto passam a ser meses muito quentes”.

Bom, o estudo científico, não termina aqui e é pródigo em mais previsões absolutamente sombrias para o bom do Algarve – entre subida do mar, cheias, inundações e falta de água potável – e também pródigo em conselhos para enfrentar o calor sufocante, através de mais espaços verdes, sombras, lagos e repuxos e até micro-aspersores nas ruas, para pulverizar os transeuntes.

Mas, atrevo-me a dizer, o PIAAC foi trabalho absolutamente inútil. Segundo o Observador, um estudo publicado por um think tank australiano de Melbourne, com o bonito nome de Centro Nacional para o Avanço da Restauração Climática, acaba de descobrir que existe uma elevada probabilidade de a Humanidade acabar até 2050, precisamente meio século antes do Algarve colapsar. É caso para dizer: “tarde PIAACs”.