O ano de 2018 na Europa

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 28 Dezembro 2018
O ano de 2018 na Europa
  • Alberto Magalhães

 

 

O ano de 2018, trouxe-nos a consciência de que algo vai muito mal na União Europeia. Torna-se cada vez mais evidente o mal-estar que se traduz no esvaimento do centro político, sobretudo do centro-esquerda, em quase toda a Europa; no florescimento de “democraturas” no Leste europeu, com relevo para a Polónia e a Hungria; no Brexit do Reino Unido; na composição do actual governo italiano e do novo governo regional andaluz; e nos coletes-amarelos gauleses.

Se olharmos com atenção e sem cegueiras preconceituosas, percebemos que muito do que se passa tem que ver com migrações. Como já aqui referi, os países do Leste, ao entrarem na UE, sofreram uma sangria imensa de mão-de-obra qualificada, dada a disparidade de salários em relação a países como a Alemanha e o Reino Unido que, com défices populacionais graves, beneficiaram da chegada de imigrantes, já formados e especializados nos seus países de origem.

Diga-se de passagem, que também Portugal se transformou num fornecedor líquido de jovens qualificados, cuja formação bem cara saiu ao contribuinte nacional.

No outro lado da moeda, mas de efeito igualmente incendiário, a chegada à Europa de centenas de milhar de migrantes, de outros continentes, com costumes e valores muito diferentes, muitos deles sem qualquer formação profissional, tem facilitado a ascensão de forças políticas que oferecem resguardo xenófobo para o mal-estar de uma classe média que, tal como nos EUA de Trump, se sente desamparada, desorientada e abandonada pela União Europeia.

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