O ano pandémico

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 18 Dezembro 2020
O ano pandémico
  • Alberto Magalhães

 

 

Se nada de ultra-hiper-super-extraordinário acontecer no País e Mundo, esta será a última Nota de 2020, ano aziago e ultra-hiper-super-decepcionante, em particular para o Zé Povinho, que já se previa a viver com um pouco mais de desafogo, depois de um ano com défice zero no Estado, as exportações a bombar e o PIB a prometer um crescimento, magrito é certo, coisa pouca, mas enfim, positivo.

De repente, não se sabe como, nem de onde, surgiu um novo coronavírus. Os anticomunistas primários e xenófobos, como Trump, por exemplo, dizem que veio da China, dos morcegos chineses via gato civeta, um carnívoro selvagem que come morcegos e ultimamente, dizem, andava a ser criado em quintas para ser servido em ocasiões especiais. O governo chinês contra-ataca e “descobre” que o vírus entra na China, escondido em carne importada. Cientistas ocidentais, decerto menos enviesados ideologicamente, têm encontrado indícios de que o coronavírus, muito antes de ser descoberto no mercado de Wuhan, já chafurdava nas caves de Roma, nos esgotos de Paris e de Barcelona.

Fosse de onde fosse, viesse de onde viesse, o maldito vírus tornou 2020 um ano perdido para muitos e um ano de perdição para outros tantos. O Natal está a chegar e, tudo o indica, o vírus vai aproveitar a terrível necessidade das famílias se encontrarem, para prosperar. Em 2016, a minha nota de Natal começava assim: “O Natal está à porta e toca a quase todos. A véspera de Natal é particularmente dolorosa para quem a passa em solidão ou de luto e, no entanto, para muitas famílias é, paradoxalmente, uma época de reacendimento de conflitos latentes e de stress”.

Hoje, que posso dizer? Vá com calma e não se deixe embrulhar em ajuntamentos! Até para o ano.

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