O ano que termina e o ano que inicia

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 21 Dezembro 2018
O ano que termina e o ano que inicia
  • Rui Mendes

 

Esta semana o ministro das finanças brindou-nos com mais uma das suas brilhantes conclusões.

Disse Mário Centeno que a “… contestação social reflecte a melhoria das condições de vida”.

Já sabíamos que a contestação social manifesta-se quando existe insatisfação, o que não sabíamos é a interpretação dada por Mário Centeno à contestação social que se vive no país. Os portugueses não são tolos, pelo que não vão nesta conversa fiada.

O problema destes nossos governantes é o seu distanciamento da realidade. E nem se dão conta da falta de sentido do que dizem.

Estão cegos e com a ilusão de viverem num país que não é manifestamente o país real.

O país em que vivemos é outro, razão pela qual as pessoas protestam.

Protestam porque não estão satisfeitas, porque não vêm tratados muitos dos problemas que existem e que as afectam no seu dia-a-dia, porque lhes prometeram muito e pouco cumpriram, porque lhes foram geradas expectativas que ano após ano são adiadas. E essa insatisfação é cada vez mais sentida e, por isso, a contestação social é cada vez maior.

E é assim que está o país, com protestos e mais protestos.

Protestos para todos os gostos, quer apoiados por sindicados, quer por ordens profissionais, quer por associações profissionais, quer por grupos da sociedade civil.

E com isto o país torna-se mais instável, menos produtivo e menos competitivo, com um Governo ausente, com um Governo que pouco resolve, que vira constantemente as costas aos problemas.

O ano de 2018 foi um ano de fortíssima contestação social, e o ano de 2019 muito provavelmente não será diferente, porque no próximo ano continuaremos a ter que suportar uma brutal carga fiscal, porque o Governo não tem respostas, porque no próximo ano o crescimento económico do país será menor, porque no próximo ano as condições externas serão imprevisíveis, em particular, em resultado do Brexit e das eleições europeias.

 

Este Governo vai deixar a sua marca.

Ficará associado a um país menos competitivo, ainda mais endividado, em que tudo é nivelado por baixo e em que as falhas do Estado acontecem de forma regular, seja na protecção civil, seja nas infra-estruturas, seja na justiça, seja na saúde, seja na segurança, seja noutra qualquer área.

 

Estamos a criar um país de velocidade lenta. O problema é que não estamos a construir um país melhor e mais justo, estamos a inverter muitos dos indicadores que, ano após ano, vinham a ser melhorados.

E é por tudo isto, por este Governo ter criado expectativas que manifestamente não cumpre, que existe este clima social de permanente constestação.

Por isso 2018 termina em tensão e 2019 inicia em tensão.

Esta será a última crónica de 2018, pelo que desejo a todos Um Santo Natal e um muito bom 2019

 

Rui Mendes