O apertar do cerco

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 24 Janeiro 2019
O apertar do cerco
  • Eduardo Luciano

 

 

A Venezuela está no centro de uma convulsão com vista ao aniquilar do seu percurso de resistência aos anseios do vizinho imperialista do norte.

Juan Guaidó, declarou-se presidente interino da Venezuela após a tomada de posse de Nicolás Maduro como presidente eleito e no culminar de um longo processo de desestabilização política e sabotagem económica liderada pelos Estados Unidos.

Nos romances policiais costumamos apontar como primeiros suspeitos os que beneficiam com o crime, no caso desta auto proclamação sabemos que os primeiros a reconhecer Guaidó foram esses grandes arautos da democracia, da liberdade, da igualdade, dos direitos humanos e da tolerância: Donald Trump e Jair Bolsonaro.

Percebemos assim, sem grande esforço, de que lado se colocam os que bolsam opiniões acerca da realidade venezuelana a partir sempre dos mesmos testemunhos nunca conseguindo encontrar opiniões diferentes entre os milhões de venezuelanos.

O facto do processo da revolução bolivariana conter erros, contradições ou desvios dos objectivos de justiça social, não nos deve afastar do reconhecimento dos enormes avanços concretizados para a elevação das condições de vida dos venezuelanos mais pobres.

Também não é possível ignorar as razões para deterioração das condições económicas e de segurança do país, que incluem uma vergonhosa ingerência nos seus assuntos internos, um reiterado boicote à economia através de um bloqueio financeiro, político e diplomático em nome da suposta defesa de valores estranhos a personagens que correram a reconhecer Guaidó como presidente.

Com mais ou menos simpatia pela Revolução Bolivariana, com mais ou menos simpatia pela figura de Nicolás Maduro, será que gente de bem pode estar do mesmo lado de Trump e Bolsonaro?

Até para a semana