O apoio da UE

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 29 Maio 2020
O apoio da UE
  • Rui Mendes

 

 

Ursula van der Leyen apresentou a proposta da Comissão Europeia que permitirá, através de Fundo de Recuperação, reforçar financeiramente os seus Estados membros no combate à crise que se instalou por toda a Europa devido à covid-19.

A Comissão Europeia pretende injetar nas economias dos seus Estados membros um total de 750 mil milhões de euros, uma parte a fundo perdido, outra por empréstimos a conceder em condições preferenciais.

A Portugal caberá uma fatia superior a 3% daquele montante, podendo assim financiar-se por recurso a “fundo perdido” em 15 mil M€, e por empréstimo num valor de 10,8 mil milhões. Portugal poderá assim reunir fundos superiores a 25 mil milhões.

As economias da União Europeias e, em especial, as mais débeis, grupo em que nos encontramos, poderão assim aceder a um pacote que terá por missão atenuar os efeitos económicos e sociais gerados pela crise, e relançar as respetivas economias. Isto se o Conselho Europeu, que se prevê que se realize em julho, vier a dar o seu aval.

Relançar a economia passa por apoiar as empresas, única forma de proteger empregos, por cada empresa que morre perdem-se postos de trabalho, perdendo-se empregos o país fica economicamente mais fraco e socialmente mais fragilizado.

Ainda assim os portugueses poderão descansar um pouco por existir um programa europeu que ataca a crise, mas não esperem milagres.

De uma forma ou de outra, este montante terá de ser pago. O chamado “fundo perdido” será suportado por futuros orçamentos da Comissão, ou seja, cada um dos Estados membros terá de assegurar o pagamento de uma parte, os empréstimos serão liquidados pelo Estado membro que recorra a este financiamento. Ou seja, são os cidadãos através dos seus impostos, os existentes e eventualmente os que vierem a ser criados, que irão pagar todo este financiamento.

É que por vezes a forma como nos é transmitida alguma informação não nos permite perceber, com a devida clareza, que encargos estamos sucessivamente está a assumir.

É certo que alguns Estados membros suportam maiores encargos, mas caberá a todos dar o seu contributo, na medida em que todos contribuem para o orçamento da União.

Certamente que no contexto atual não haveria nenhuma outra solução. Aliás, Portugal deverá estar ainda mais reconhecido pelo apoio que a UE nos tem dado, doutra forma as medidas que seriam adotadas seriam ainda mais duras.

Mas fiquemos esclarecidos que a lógica governativa de alguns dos últimos governos, por sinal quase sempre da mesma cor política, está sustentada em divida e mais divida, e que o fardo que deixamos às gerações futuras, as dos nossos filhos e netos, é cada vez mais pesado.

A política tem disto. Nem sempre os escolhidos são os mais competentes. O que importa é criar uma permanente ilusão para que nos afastamentos da realidade. E, verdade se diga, nisso António Costa é mestre. Permite-nos viver na ilusão que estamos melhor do que realmente estamos, que estamos sempre melhor que os outros, e que somos sempre um país de referência na União.

Mas fiquemo-nos pela ilusão para não cairmos na desilusão.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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