O assalto ao Congresso dos EUA

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 07 Janeiro 2021
O assalto ao Congresso dos EUA
  • Alberto Magalhães

 

 

Ontem, Donald Trump superou-se, transcendeu-se, na capacidade de envergonhar o seu país, a mais antiga república democrática do mundo, perante os seus aliados, os seus adversários e os seus inimigos. É verdade que há quatro anos o vinha fazendo. É certo que, desde a noite da sua derrota eleitoral, ao recusar-se a aceitar a vitória mais que óbvia do adversário, tornava possível pensar-se numa impensável tentativa da sua parte para subverter o resultado eleitoral.

Mas ontem, Trump, num derradeiro esforço para impedir o seu inevitável despedimento da Casa Branca, ele que representa ainda o poder executivo do Estado, incitou as suas tropas de choque contra o poder legislativo, o Congresso dos EUA. O Presidente pediu uma insurreição, um ataque ao poder democrático.

Mas, as cenas da invasão do edifício por uma multidão de apoiantes, que Trump incitara a correr a pressionar os congressistas para que rejeitassem a eleição de Biden – algo impensável à luz das leis do país – mais pareciam de um filme-calamidade ao jeito de Hollywood ou de um documentário terceiro-mundista. Fez-me lembrar aquela incursão de militares fascistas, órfãos do ditador Francisco Franco, pelo Parlamento espanhol adentro.

Uma cena de opereta que ou muito me engano ou acabará por se virar contra quem a promoveu. Oxalá não esteja a confundir os meus desejos com a realidade.

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