O assassínio de Ihor Homeniuk

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 09 Dezembro 2020
O assassínio de Ihor Homeniuk
  • Alberto Magalhães

 

 

De 10 a 12 de Março, um cidadão ucraniano, à guarda do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, num Centro de Instalação Temporária, no Aeroporto de Lisboa, foi violentamente agredido, torturado, enfim assassinado, presumivelmente por três agentes do SEF, perante a passividade de cerca de uma dúzia de pessoas, todas ou quase todas ao serviço do Estado português. A primeira versão, canhestra, deu-o como morto por um ataque de epilepsia. Foi isso que o SEF comunicou ao Ministério Público e à embaixada da Ucrânia e, só no dia 18, à IGAI. Entretanto, a 17 de Março, a Polícia Judiciária pedia ao director de Fronteiras de Lisboa a lista de agentes de serviço nos fatídicos dias, dada a suspeita de homicídio. A 19 de Março, o dirigente (entretanto demitido) respondeu à PJ, por email, com cópia para o gabinete da directora nacional do SEF, Cristina Gatões.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, declarou na AR que só soube das suspeitas de crime no dia 30 de Março, dia em que os três inspectores do SEF foram detidos. Daqui se conclui que, ou o ministro mentiu aos deputados ou a directora do SEF ocultou do ministro a informação durante, pelo menos, onze dias.

Tudo isto e muito mais foi revelado no Diário de Notícias, sábado passado. Já lá vão quatro dias e impõem-se perguntar o que espera o ministro para demitir Cristina Gatões? Ou será que ele não tem nada a apontar-lhe? Mas, nesse caso, faça-nos o favor de se demitir! Uma última pergunta: por que espera António Costa para pedir desculpa, em nome do Estado português, à família de Ihor Homeniuk?

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