O avião ucraniano abatido no Irão

Nota à la Minuta
Terça-feira, 14 Janeiro 2020
O avião ucraniano abatido no Irão
  • Alberto Magalhães

 

 

Em Novembro, houve protestos em mais de cem cidades do Irão, a pretexto do aumento do preço dos combustíveis, protestos que foram duramente reprimidos, com um saldo de cerca de 300 mortes. O assassinato do general Soleimani, a três de Janeiro, no aeroporto de Bagdad, por acção de um míssil americano, sendo um desaire importante para o regime iraniano, teve, no entanto, a virtude de unir milhões no funeral do comandante das suas forças especiais, no ódio ao inimigo externo, os Estados Unidos da América.

O assassinato de Soleimani, que Trump começou por justificar como sendo preventivo de uma onda de ataques a alvos americanos, mas que agora, com o maior dos descaramentos, já nem se dá ao trabalho de justificar, parecia assim, estar fadado a fortalecer o poder dos ayatollah e a neutralizar, por tempo indeterminado, a oposição ao regime. A tentativa deste para esconder a sua responsabilidade no abate do avião ucraniano, motivou uma reviravolta inesperada na disposição dos manifestantes, que agora voltam às ruas a pedir responsabilidades.

O que me incomoda desde o momento em que se soube da queda do avião, minutos depois do ataque iraniano às bases americanas no Iraque, não foi tanto a causa do desastre. Só por uma coincidência inacreditável poderia ter sido uma falha técnica. O que me incomoda é perceber que, tendo ordenado o disparo de dúzias de mísseis e não podendo antecipar a resposta americana, as autoridades iranianas não se preocuparam em suspender os voos civis no seu espaço aéreo. Estariam a trabalhar para o desastre?