O “blá, blá, blá” energético – I

Nota à la Minuta
Terça-feira, 16 Novembro 2021
O “blá, blá, blá” energético – I
  • Alberto Magalhães

O ar, a água e a electricidade têm em comum uma característica interessante: só lhes damos o devido valor quando nos faltam. Claro que, ao pôr a electricidade ao mesmo nível de dois elementos tão vitais para a nossa existência como são o ar e a água, corro o risco de parecer sobrevalorizá-la. Afinal de contas, vivemos milhares de anos sem os seus benefícios e só no século XIX começámos a aprender a dominá-la. Faltasse-nos ela – num tempo de mega-metrópoles, de redes digitais controlando o tráfego de pessoas e bens, onde quase tudo e todos estão dependentes de máquinas eléctricas e electrónicas, desde a cozinha ao hospital – e o caos seria imparável. A vida tornar-se-ia quase insuportável para a maioria de nós.

Em resumo, a energia eléctrica é hoje uma necessidade indiscutível. No entanto, o modo de a produzir é cada vez mais discutido. Primeiro, começou-se por opôr as fontes renováveis às não-renováveis, agora, mercê da chamada crise climática antropogénica, fala-se nas “limpas”, por oposição às que “sujam” a atmosfera com dióxido de carbono.

A COP26, a cimeira climática do “blá, blá, blá” (assim baptizada pela Greta, autoridade maior da revolução climática) acabou com uma indignação geral contra a Índia e a China, por impedirem a eliminação rápida e total das centrais termo-eléctricas a carvão, sem se cuidar de perceber que os dois países mais populosos do mundo – contando, entre os dois, com 2.900 milhões de bocas para alimentar – tão depressa não se podem dar ao luxo de abdicar de uma fonte de energia barata, trocando-a por alternativas que de limpas só têm, provavelmente, o nome. Se acha que exagero, dê-se, por favor, ao trabalho de ver, por exemplo no YouTube, o documentário (que eu vi na RTP) intitulado “O lado negro das energias verdes”.

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