O ‘bullying’ policial

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 17 Dezembro 2021
O ‘bullying’ policial
  • Alberto Magalhães

Não é a primeira vez que acontece, mas à primeira vista é inexplicável, de tão absurdo. Refiro-me aos criminosos que não resistem em usar os telemóveis para gravar em vídeo os próprios crimes, chegando mesmo a colocá-los na internet, como se quisessem ser apanhados. Mas não, não creio que haja um inconsciente desejo de expiação, para este tipo de conduta. Parece haver, pelo contrário, uma explicação bem simples: uma estupidez brutal, em sintonia completa com a brutalidade mais infantil e perversa, sádica e boçal, que usam com as suas vítimas.

Quem não assistiu já a vídeos que denunciam práticas de bullying escolar ou extra-escolar, gravados e publicitados pelos próprios agressores ou seus cúmplices? Mas que um bando de alarves, ao serviço da GNR, tenha uma actuação semelhante à de um gang de delinquentes juvenis é, apesar de tudo, surpreendente e alarmante.

As vítimas de bullying, tal como as vítimas destes terroristas fardados de Vila Nova de Milfontes – que por burrice extrema se auto-incriminaram – são preferencialmente escolhidas por serem estranhas, vindas de fora ou com modos diferentes, e fracas – incapazes de se defender.

Seria interessante investigar o passado escolar e disciplinar dos guardas envolvidos no bullying sobre os indefesos imigrantes de Odemira – e noutros casos de semelhante mau uso dos poderes de que estão investidos – até para poder afinar os critérios de selecção da GNR. Mas, mais urgente é despir-lhes a farda que desonraram. Gente deste calibre não pode ter poder letal.

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