O Carnaval à trela

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 04 Março 2019
O Carnaval à trela
  • Alberto Magalhães

 

 

Digo muitas vezes que é quase inevitável a tendência dos mais idosos para relembrarem, com saudade, os bons velhos tempos, em tudo superiores – evidentemente – aos tempos actuais. Quando alguém diz: “no meu tempo…”, é sinal seguro de que se sente ultrapassado, ou mesmo assarapantado, com as novidades do presente e está pronto a procurar refúgio num passado mítico, quando o corpo respondia prontamente e sem doer e o futuro aparecia promissor.

Pois agora, em pleno Carnaval, chegou-me uma vontade imensa de dizer: “No meu tempo, brincávamos ao Carnaval. Estalinhos, bombas e rabichas compravam-se livremente e utilizavam-se descaradamente. Bombinhas de mau-cheiro empestavam o liceu na sexta-feira que anunciava o Entrudo. Os mais novos eram passeados orgulhosamente pelos pais, mascarados com fantasias mais ou menos imaginosas. Os jovens mascaravam-se para “assaltar” as festas de amigos e conhecidos e rabiavam-nos antes de se darem a conhecer. Pregar partidas era quase obrigatório e por vezes elas excediam o razoável. O Carnaval era empolgante, caótico, ridículo, desconcertante e, caramba, divertido.

Hoje, que digo eu, há seguramente mais de trinta anos, os festejos escolares de Carnaval viraram desfiles pedagógicos, sempre com importantes lições sobre o ambiente, a paz, os direitos dos animais ou a alimentação saudável. Jardins de infância, escolas e autarquias transformaram o Carnaval numa aborrecida sessão de Educação Cívica. No meu tempo não era assim.

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