O Cerco do Porto

Nota à la Minuta
Terça-feira, 31 Março 2020
O Cerco do Porto
  • Alberto Magalhães

 

 

Compreendo bem a emotiva reacção da brava gente da cidade do Porto à simples menção, pela Dr.ª Graça Freitas, da possibilidade quase certa, dizia ela ontem, das autoridades de Saúde decretarem, nesse mesmo dia, uma cerca sanitária à cidade. Tivesse ela lembrado o famoso Cerco do Porto, imposto pelas tropas do absolutista D. Miguel, entre Julho de 1832 e Agosto de 1833, aos apoiantes do liberal D. Pedro, entre os quais se contavam Alexandre Herculano, Almeida Garrett e José Estêvão Coelho de Magalhães, e teria percebido que cordão, cerca ou cerco sanitário, seria coisa imprópria para impor à invicta cidade.

A sensação de disparate que senti, quando os autarcas do Porto, Gaia e Gondomar revelaram não ter sido consultados, disparou quando o presidente da Comissão Distrital da Protecção Civil do Porto, Marco Martins, revelou ao Observador que (e cito) “essa questão foi colocada há uma semana e um dia quando, no domingo passado, foi activado o Plano Distrital de Emergência”. Nessa altura, segundo Marco Martins, (e cito de novo) “a autoridade distrital de saúde achou, e transmitiu, que já não era eficaz, que já não valia a pena fazer essa diligência”. Porquê, porque o vírus já estaria disseminado no Grande Porto, sendo já impossível a sua contenção. Então (volto a citá-lo) “se, há oito dias, esta era uma decisão ineficaz, como é que agora, que os números são francamente maiores, já se tornou eficaz? Não compreendo”. Nem eu.

Será que hoje alguém vai explicar?

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