O Cisne Negro e as teorias da conspiração

Nota à la Minuta
Terça-feira, 12 Maio 2020
O Cisne Negro e as teorias da conspiração
  • Alberto Magalhães

 

 

É difícil fazer previsões, especialmente no que respeita ao futuro”. Até porque “o futuro já não é o que era”. Mas, no entanto, “a espécie humana é afectada por uma subestimação crónica da possibilidade de o futuro se desviar do rumo inicialmente previsto”. Nassim Taleb, a quem roubei estas frases, escreveu um livro, ‘O Cisne Negro’ cujo prólogo começa assim: “antes da descoberta da Austrália, as pessoas do Velho Mundo estavam convencidas de que todos os cisnes eram brancos”. Ou seja, bastou o avistamento de um único cisne negro, para desmentir uma crença baseada em milhões de observações de cisnes brancos e zero negros, durante séculos.

A pandemia que apanhou a humanidade de calças na mão, é um Cisne Negro. Reúne as três características que Taleb atribui aos Cisnes Negros: é atípico, reveste-se de enorme impacto e, depois de ter lugar, tentamos torná-lo compreensível e previsível. Daí a profusão de ‘teorias da conspiração’, que circulam nas redes sociais e nos media mais dados a inventonas.

Assim, o novo coronavírus pode ter passado dos bichos selvagens para os homens, num mercado chinês, mas também pode ter sido criado num laboratório em Wuhan, ou num laboratório russo ou americano. Há quem veja nele uma praga divina, para castigar Sodoma e Gomorra e quem considere – talvez seja esta a teoria do nosso António Guterres – que é Gaia, a mãe Natureza, a repor o equilíbrio do sistema, nomeadamente, através da falência das companhias de aviação. Eu ouvi dizer que isto é tudo obra do Bill Gates. Consta que vai ganhar um dinheirão nas vacinas.

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