O colapso final da geringonça

Nota à la Minuta
Terça-feira, 26 Outubro 2021
O colapso final da geringonça
  • Alberto Magalhães

 

 

Pelos vistos, o PCP chegou à conclusão de que o BE estava certo quando abandonou a geringonça já no passado OE e se dispôs a sofrer perdas eleitorais agora, para voltar à oposição nua e crua, do bota-abaixo contra o capitalismo, que a prazo poderá, pensam eles, render votos contra um futuro governo de direita. Enfim, a rotina pré-geringonça.

O previsível chumbo de amanhã, deixa António Costa numa posição delicada. O Presidente da República dissolverá a AR e convocará eleições. Como aqui referi na semana passada – e já dissera, fará dentro em pouco um ano – ao rejeitar o apoio do PSD, o primeiro-ministro colocou os ovos todos na cesta esquerda e agora sofrerá as consequências.

Ou seja, mesmo na hipótese de o PS conseguir ser, de novo, o partido mais votado, Costa terá de conseguir uma maioria absoluta, ou ver-se-á perdido no seu labirinto. Formar governo à esquerda será difícil e à direita, depois do que fez a Rio, quase impossível.

Curiosamente, a experiência da Geringonça, à esquerda, e a ascensão do Chega, à direita, vieram quebrar o tabu do Bloco Central, ouvindo-se cada vez mais vozes a considerar a vantagem de um governo de coligação, maioritário, capaz de impulsionar as transformações de que o país precisa para sair da cauda da Europa.

Se pensarmos bem, as alternativas que surgirão das eleições são poucas ou nenhumas, se deixarmos de fora aquelas que tornariam o país ingovernável. Resta saber se PS e PSD, quando chegar a altura, terão líderes capazes de apontar ao centro.

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