O Congresso e a austeridade ocultada

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 16 Março 2018
O Congresso e a austeridade ocultada
  • Rui Mendes

 

 

Muito haveria para analisar e comentar esta semana.

Contudo, esta crónica abordará dois temas: o congresso do CDS e as declarações proferidas pelo primeiro-ministro esta semana em Estrasburgo.

O Congresso foi o palco para mostrar ao país a ambição do CDS, quer em crescer, quer em ser o partido da oposição ao Governo.

Mas neste congresso, o CDS preservando a sua matriz identitária, mostrou ser um partido que se sabe renovar, mostrou ser um partido plural, dando uma vitória inequívoca a Assunção Cristas, mas preservando o espaço para a diferença de opinião.

O Congresso reelegeu, de uma forma expressiva, uma líder jovem e combativa, e uma equipa também ela jovem, competentes para assumir os próximos combates políticos e para fazer uma oposição capaz a este Governo.

O país terá a ganhar com uma oposição séria e com a existência de alternativas.

Esta semana foi-nos vendida mais uma interpretação facciosa.

Referiu o primeiro-ministro que “…a alternativa à política de austeridade resultou “no maior crescimento económico desde o início do século”.

Alternativa à política de austeridade?

Virar a página da austeridade?

É bom relembrar aqui que a austeridade começou com um Governo precisamente da cor daquele que nos governa, Governo esse que contratualizou o ajustamento económico do país. E que a austeridade que vivemos é uma consequência da administração exercida por um governo socialista.

Mas o primeiro-ministro parece esquecer tudo isso, e querer passar uma mensagem distante da realidade.

Até parece que não vivemos em austeridade.

Então o que dizer da elevada carga fiscal que nos é imposta.

Então porque temos congelamento de salários.

Então qual a razão por que não se descongelam globalmente as carreiras.

Então por que razão o Governo é tão peremptório na defesa da perda de anos, para efeitos de contagem de tempo em várias carreiras.

Então porque se aprovou o pagamento faseado, por dois anos, do que é devido pelo “descongelamento” das carreiras do regime geral (e apenas deste regime).

Então a que se deve o desinvestimento na administração pública.

Então porque se cativam verbas orçamentadas.

Tudo isto se não é a aplicação de medidas de austeridade o que é então?

E tantos e tantos outros exemplos que poderíamos dar a este Governo para lhe mostrar que vivemos em austeridade. Apenas o Governo não o percebe, ou então não o quererá ver.

Gosta de dizer que está tudo bem.

Vivemos iludidos e no engano que a “tempestade” passou e que tudo está bem.

Este é um discurso desfasado da realidade.

Não fosse o bom desempenho de alguns sectores, particularmente o do turismo, e veríamos qual seria a taxa de crescimento do país.

Não fosse o apoio, e o controlo, da Europa a Portugal e veríamos como estaríamos hoje.

Não fosse o contexto internacional, da queda do preço do petróleo ou das baixas taxas de juros, que gerou um contexto de crescimento global da economia, tendo todos os países que integram a comunidade europeia apresentado taxas positivas de crescimento, e veríamos como estaríamos.

Por estas, e por tantas outras razões é necessário haver uma oposição que questione, que clarifique, que denuncie e que informe, e que crie nos portugueses um sentimento de existência de alternativa.

Mas estejamos atentos ao ano de 2019, ano em que o Governo terá todas as bondades, não fosse 2019 ano de eleições legislativas.

 

Por esta semana é tudo

Até para a semana

 

Rui Mendes

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