O coronavírus e as eleições nos EUA

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 30 Abril 2020
O coronavírus e as eleições nos EUA
  • Alberto Magalhães

 

 

Hilary Clinton acaba de anunciar o seu total e activo apoio ao candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden. Não havia necessidade, tanto mais que Donald Trump lá mora graças ao empurrão que lhe deu a antipatia que muitos potenciais eleitores democratas nutriam – e nutrem – pela senhora Clinton. Mais um peso para um candidato que merece zero em carisma e terá os seus telhados de vidro, os quais Trump tratará de aproveitar na devida altura.

Muita gente, na Europa, julga que o desastrado comportamento de Trump, em relação à pandemia, o vai penalizar e impedi-lo de vencer em Novembro. Tenho algumas dúvidas. Trump é um psicopata narcisista, ou pelo menos parece sê-lo (e como tão bem dizia Salazar, “em política, o que parece é”). Mas, não é tão idiota como se faz. É um populista que seduz as suas bases de apoio, mostrando-se tão buçal como elas, contra as elites intelectuais. Porque sabe que, na sua esmagadora maioria, os seus eleitores são de uma ignorância tão atrevida que os leva a desprezar Darwin, acreditando piamente que o Universo foi criado em seis dias, incluindo Adão e Eva, de que todos descendemos.

Acresce que, ao contrário do que os media europeus nos tentam fazer crer, a situação da epidemia nos EUA não é tão catastrófica como a pintam e como parece ao vermos os números brutos de infectados e mortos. Ontem, tinham cerca de 3200 casos e 186 mortes por milhão de habitantes. Compare-se, por exemplo, com Espanha, que tinha mais de 5000 infectados e 519 mortes, também por milhão, e percebe-se que o senhor Sanchez e o senhor Iglesias têm nas mãos um problema maior. Para ajudar à festa, os grandes focos de infecção – o nordeste (incluindo Nova Iorque) e a Califórnia – são governados por democratas, o que calha que nem ginjas a Trump que só tem de se preocupar com a Florida e o Texas.

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