O coronavírus e o resto

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 13 Março 2020
O coronavírus e o resto
  • Rui Mendes

A Organização Mundial de Saúde declarou o Covid-19 como pandemia. Ao fazê-lo a OMS reconheceu a dimensão mundial da doença e o problema de saúde pública que está provocando em muitas dezenas de países.

O novo coronavírus tem posto à prova os vários sistemas de saúde e a capacidade de atuação dos países.

Portugal não é exceção. O número de infetados com este novo vírus irá aumentar nos próximos dias, essa é a tendência. O que se espera é que o número de infetados que necessitarão de internamento não cresça brutalmente, de forma a não esgotar a capacidade dos serviços de saúde, e que o sistema possua recursos suficientes, humanos e materiais, para responder às necessidades. É isto que deverá ser a nossa esperança nesta fase.

Todos certamente estamos apreensivos. Isto é algo que o mundo não estava preparado que acontecesse.

Não há como fugir ao problema, pelo que cada um de nós deve acolher as recomendações das autoridades de saúde, para que cada um contribua para a não propagação da doença, e para que ela não evolua de forma rápida. Este é o dever de cada um de nós.

Tenhamos consciência que uma vez ultrapassada esta fase de combate à doença o mundo terá de encarar um outro problema, que também trará danos. A queda das economias trará problemas de outra natureza.

As fortes quedas das bolsas que temos assistido nos últimos dias, a quebra da atividade em muitos setores económicos, o crescimento de taxas de juros, entre outros, são alguns sinais que mostram que este vírus fará danos não apenas ao nível da saúde, mas também estenderá esses danos a vários outros setores.

Portugal nem de perto nem de longe conseguiu ultrapassar os danos causados pela última crise económica, pelo que terá dificuldades acrescidas caso tenha de encarar uma nova crise.

A divida portuguesa em termos nominais cresceu nos últimos anos, o crescimento económico cifou-se por um crescimento mediano, nada mais que isso, pese embora tivéssemos assistido sempre a um discurso muito colorido.

Durante esta semana todas as demais noticias foram abafadas pelo novo coronavírus. Ainda assim, a crise dos migrantes, que esteve adormecida em razão do acordo celebrado entre a UE e a Turquia, está novamente a atingir uma dimensão absolutamente trágica. Todos os outros assuntos foram reduzidos a um vazio noticioso.

É deveras preocupante o mundo que estamos a construir, não é só um mundo mais desigual, é um mundo em calamidade.

Até para a semana

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