O crescimento da economia em 2016

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 17 Fevereiro 2017
O crescimento da economia em 2016
  • Rui Mendes

 

 

O Instituto Nacional de Estatística divulgou a taxa de crescimento da economia portuguesa em 2016.

O PIB cresceu 1,4% e o Governo parece ter explodido de contentamento.

Contudo, atinge-se uma taxa de crescimento que não nos deve satisfazer.

Inicialmente o Governo no Orçamento de Estado previa uma taxa de crescimento de 1,8% para 2016. Taxa esta que nunca foi credível para organismos internacionais e nacionais, tendo sido revista em baixa pelo próprio Governo.

As previsões mais recentes apontavam para um crescimento entre 1,2 e 1,3%, daí a satisfação do Governo por se atingir uma taxa de 1,4%, só explicável por superar aquelas expectativas.

Mas a verdade é que a economia desacelera em 2016. Reduz em 0,2 pontos percentuais o valor atingido em 2015.

A verdade é que 1,4% é um baixo crescimento, e que não será com níveis de crescimento baixos que o país conseguirá resolver todo o conjunto de problemas com que se depara.

A verdade é que, pelos dados que já se conhecem, algumas das economias europeias apresentam taxas de crescimento que mais que duplicam a taxa de crescimento de Portugal, casos da Roménia e da Espanha.

Um país que apresenta baixos níveis de investimento, em que o sector financeiro apresenta problemas e, enquanto factor fundamental de apoio à economia, não cumpre o seu papel com a dimensão esperada, e que está tão vulnerável a oscilações externas, não conseguirá atingir outros níveis de crescimento do PIB.

Mas há que ter ambição.

Para atrair investimento, condição para fazer crescer a economia e para colocar Portugal no grupo de países que apresentam maiores taxas de crescimento, porque é esse o caminho para que Portugal resolva os seus problemas de uma forma sustentada, para que não se resolva um problema com a criação de um outro.

1,4% de crescimento só é visto de uma forma positiva porque as expectativas estavam baixas.

Em 2016 crescemos menos do que em 2015 e, só por esse facto, do desacelerar da economia, já será factor de preocupação e, naturalmente, tudo menos algo positivo.

Mas estamos certos que não será por termos baixas expectativas que, quando as superamos, deveremos jubilar.

Até para a semana

Rui Mendes

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