O Democrata

Crónica de Opinião
Terça-feira, 10 Janeiro 2017
O Democrata
  • Cláudia Sousa Pereira

 

 

Associo-me naturalmente ao luto pela morte de Mário Soares. Os minutos de silêncio preenchê-los-ei com uma afirmação de princípios sua, das muitas que fez ao longo de toda uma vida tão cheia, e com o som da Internacional Socialista. E no jogo das palavras e das metáforas, dele se poderá sempre dizer que não era como um democrata, mas sim o democrata.

«Que continuem os nossos adversários com os seus processos historicamente condenados. Que cheguem às mais degradantes violências, às piores injúrias. Que sejam até ao fim vítimas de si próprios, das suas próprias naturezas e instintos. Nós saberemos manter-nos, serenamente, corajosamente. A consciência nacional, por mais adormecida que pareça, nos julgará – a nós e a eles. E venceremos.» Palavras retiradas do seu Manifesto à Juventude, corria o mês de Março de 1947. O que nos ensinou ficará para sempre.

A pé, ó vítimas da fome

Não mais, não mais a servidão

Que já não há força que dome

A força da nossa razão

Pedra a pedra, rua o passado

A pé, trabalhadores irmãos!

Que o mundo vai ser transformado

Por nossas mãos, por nossas mãos.

(refrão)

Bem unidos façamos,

Nesta luta final,

Uma terra sem amos

A Internacional.

Não mais, não mais o tempo imundo

Em que se é o que se tem

Não mais o rico todo o mundo

E o pobre menos que ninguém

Nunca mais o ser feito de haveres

Enquanto os seres são desfeitos

Não mais direitos sem deveres

Não mais deveres sem direitos.

(refrão)

Já fomos Grécia e fomos Roma

Tudo fizemos, nada temos

Só a pobreza que é a soma

Dessa riqueza que fizemos

Nunca mais no campo de batalha

Irmãos se voltem contra irmãos

Não mais suor de quem trabalha

Floresça em fruto noutras mãos.

(refrão)

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