O despudor de Liz Truss

Nota à la Minuta
Terça-feira, 18 Outubro 2022
O despudor de Liz Truss
  • Alberto Magalhães

O Reino Unido parece não estar ainda refeito da vitória do Brexit, subsidiada pela Rússia de Putin, é bom não esquecer. Primeiro, foi o desgaste de Theresa May, na busca de uma saída airosa da União Europeia. De seguida, entrou em cena Boris Johnson, incapaz de um mínimo de seriedade. Afastado Johnson, por esgotamento da paciência dos deputados conservadores, eis que o partido escolhe para lhe suceder Liz Truss, alguém que parece julgar-se a reencarnação de Margaret Tatcher, mas que, em pouco mais de um mês, afundou a credibilidade do seu governo, de forma aparentemente irreversível.

Liz Truss, sintonizada com o seu ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, apresentou muito lampeira um ‘mini-orçamento’, que se propunha endividar fortemente o Estado para financiar um choque fiscal que, supostamente, traria ao Reino Unido um pujante crescimento económico. Espantosamente, os mercados financeiros não gostaram da manobra, a libra caiu a pique, os juros da dívida britânica dispararam e o Banco de Inglaterra teve de intervir para evitar uma hecatombe. Liz Truss também actuou no mesmo sentido, mas de forma despudorada. Em vez de se demitir, ofereceu em sacrifício o seu amigo de longa data, o ministro das Finanças.

O novo ministro, Jeremy Hunt, criticou o tal choque fiscal e tratou de anunciar que, em vez de baixar, alguns impostos terão de subir. Liz Truss passou a ser um cadáver político adiado.

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