O dia dos namorados

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 14 Fevereiro 2019
O dia dos namorados
  • Eduardo Luciano

 

 

Há uma primeira vez para tudo e esta é a primeira crónica sobre o dia dos namorados. Quem haveria de dizer que neste espaço de suposta crónica política haveria lugar a falar de namorados e de um dia especial para se comemorar esse encantamento entre duas pessoas.

Tal como outros dias comemorativos também se resume a uma certa oportunidade de negócios, da hotelaria à restauração, da perfumaria à florista, da ourivesaria à bilheteira electrónica de um qualquer festival que há-de acontecer lá mais para a frente.

É assim um dia de ménage a trois com a participação do comerciante mais a jeito ou, usando um linguajar mais próximo de uma certa modernidade parola, uma comemoração com outros players e stackholders.

Talvez contagiados por este espírito de amor uma vez por ano, uma certa camada política acha por bem namorar, nem que seja por via do linguajar, com formas de estar e perspectivas de análise que se aproximam da rudeza do mais básico, acreditando que cavalgando tal onda que se avista da praia poderão sobreviver ao seu rebentamento.

Apagam a memória, dão cambalhotas que lhes permitem afastar-se hoje do que promoverem ontem, conseguindo mesmo o milagre de se venderem como paladinos do combate contra o que criaram com todo o amor e carinho.

Este namoro permanente com a hipocrisia, o moralismo de pacotilha, e a crença na sua própria virgindade eterna, até lhes pode dar uma certa sensação de bem-estar nas comemorações do dia dos namorados mas, mais cedo que tarde, acabará num terrível divórcio com a realidade com consequências terríveis para a sua saúde mental.

Mas hoje é dia de paz e amor, ainda que por encomenda, não é dia de lembrar outros namoros por interesse imediato, na mira de um poder que almejam e que nunca terão.

Na política, mesmo que local, não se deve confundir a realidade com o espelho distorcido das ambições medíocres de quem confunde um barco a remos com um transatlântico.

Vão lá comprar a flor, o perfume, marcar o restaurante e enviar a mensagem da praxe e não pensem no que acabei de dizer.

Como diz a minha prima Zulmira relativamente ao namoro: mais vale à tarde que nunca.

Até para a semana