O Dia seguinte

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 07 Outubro 2019
O Dia seguinte
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Acabam de sair os resultados das eleições para a Assembleia da República e seria precipitado tirar conclusões, mas há algumas notas que gostaria de deixar.

A primeira nota vai para o não voto

Esta foi uma eleição marcada pelo agravamento da abstenção. Apesar de terem sido introduzidas alterações no processo eleitoral e de o voto antecipado ter vindo facilitar o exercício do direito/dever de voto, não se pode escamotear o facto de metade dos cidadãos ter desistido de participar nas escolhas que vão determinar o curso do país e das suas vidas nos próximos 4 anos.

Como combater a indiferença, a descrença nos políticos e na política, é um desafio a que terá de ser dada resposta rapidamente se não quisermos ver a democracia a definhar ainda mais.

A segunda nota vai para a composição parlamentar, que se alterou de forma significativa.

A direita averbou uma derrota estrondosa, com o PSD a baixar novamente a sua votação e Rui Rio a atirar culpas sobre tudo e sobre todas e o CDS a passar de 18 para 5 deputados.

E entraram 3 novos partidos.

A extrema direita entrou pela primeira vez no Parlamento e resta saber como irá o Parlamento lidar, face à Constituição, com a xenofobia, o racismo, a homofobia e as propostas fascizantes que seguramente aparecerão.

Também os resultados da CDU foram assumidamente negativos: o PCP teve um rombo eleitoral deputados e os Verdes têm apenas 1 deputado.

O Partido Socialista venceu as eleições. Não com a maioria absoluta que almejava mas ainda assim com uma maioria reforçada. Governará seguramente, mas irá precisar de apoios.

E, ao contrário do que os analistas de serviço chegaram a preconizar, não será suficiente o apoio do PAN, nem mesmo somando-lhe o Livre.

Por isso no final da noite, Costa veio já dizer que os resultados eleitorais mostraram que os portugueses gostaram da geringonça e que o quadro à esquerda se mantinha apesar de agora o PS ter uma maioria significativa.

Uma terceira nota vai para o Bloco de Esquerda

Apesar da campanha lançada pela direita e dos ataques das últimas semanas, o Bloco de Esquerda viu consolidada a sua posição como terceira força política.

Ainda não estavam fechados os resultados e Catarina Martins, mais uma vez, sem equívocos, afirmou a disponibilidade do Bloco para continuar a viabilizar uma solução que dê estabilidade ao governo tendo em vista a reposição de direitos, no quadro da legislatura ou em negociações para cada orçamento.

As condições do Bloco são de continuidade ou seja defender quem vive do seu trabalho. Da actual legislatura ficaram ainda por repor os cortes da troika que se mantêm na legislação laboral, há que combater a precariedade e proteger os trabalhadores por turnos, proteger as pensões e acabar com a duplo corte do factor de sustentabilidade. É essencial salvar o Serviço Nacional de Saúde e proteger os serviços públicos, investir em habitação e transportes públicos e responder à emergência climática.

Veremos, nas próximas semanas, se o Partido Socialista quer efectivamente prosseguir com a governação à esquerda ou não.

Finalmente uma nota para os resultados eleitorais no nosso distrito.

Comecemos pelo Bloco de Esquerda

Apesar de ter subido umas centésimas face aos resultados de 2015, essa subida não é significativa e o Bloco ficou aquém dos objectivos que se tinha proposto e que eram de reforço substancial da sua posição eleitoral.

Quanto à CDU, apesar de manter o seu deputado por Évora, teve uma quebra bastante forte no distrito, e sobretudo o que é mais significativo é ter perdido verdadeiros bastiões como Arraiolos ou Montemor, onde tradicionalmente era maioritária. Apenas em Mora manteve a maioria.

Também aqui o PS foi o vencedor, tendo retirado o deputado ao PSD.

Mas o facto mais significativo por cá é que o PSD perdeu os seus deputados em Évora, em Beja e em Portalegre ou seja

A direita perdeu o Alentejo. E eu digo: ainda bem!

Até para a semana!

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