O Dia Seguinte

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 27 Maio 2019
O Dia Seguinte
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

A crónica de hoje não podia deixar de ser sobre as eleições europeias, feita tarde no rescaldo da noite eleitoral, quando a atribuição de mandatos ainda está por concluir, mas que fica marcada por uma enorme abstenção, a 3ª maior de entre todos os Estados Membro da União Europeia, o que nos deve convocar a todos para reflectir sobre porque é que tantos portugueses desistiram de tomar nas suas mãos o seu futuro.

Esta eleição fica também marcada pela derrota da direita. É uma derrota severa e o pior resultado de sempre para o PSD e o CDS. O PSD, perde 1 deputado mas sobretudo perde quase 200.000 votos. E é uma derrota para o CDS que fez uma campanha de ataques, que tinha como objectivo ultrapassar o Bloco de Esquerda e a CDU e, no final, se ficou atrás destes partidos ombreando com o PAN, este sim com um crescimento assinalável.

Destas eleições sai também a reconfiguração da representação portuguesa no Parlamento Europeu. Desaparece o PT e Marinho e Pinto tem uma votação inexpressiva e também não é eleito. O PS como era previsto aumentou os seus deputados e surge agora no Parlamento Europeu o PAN.

Para a CDU estas eleições foram também desastrosas. Perdeu quase 200.000 votos e vê a sua representação reduzida, prevendo-se ainda assim que perca 1 deputado.

Nestas eleições o Bloco de Esquerda mais que duplicou os seus resultados face às eleições europeias de 2014 e este crescimento demonstra que os portugueses e as portuguesas reconhecem o trabalho feito no Parlamento Europeu por Marisa Matias. E mostra também que vêm cada vez mais o Bloco como força política que usa cada voto que lhe confiam para defender na União Europeia e ao nível nacional o trabalho com direitos, os salários e as pensões, o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, o controlo da banca e o fim dos paraísos fiscais. E que tem estado na primeira linha do combate às alterações climáticas e na defesa dos direitos humanos.

Mas esta eleição fica marcada também pela consolidação da posição do Bloco de Esquerda como terceira força política, também ao nível do Parlamento Europeu.

Se o Bloco de Esquerda, na Assembleia da República e no Parlamento Europeu, é a 3ª força política, a análise dos resultados demonstra que, ao contrário de outros partidos, a sua influencia não está confinada a determinadas regiões do país. Essa posição é consistente de Norte a Sul, do litoral ao interior, no Continente e nas Regiões Autónomas, é assim na esmagadora maioria dos distritos.

E este é um dado importante a reter.

Até para a semana!

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