O dilema das escolas

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 13 Janeiro 2021
O dilema das escolas
  • Alberto Magalhães

 

 

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, defendeu ontem a manutenção do ensino presencial, considerando que o “custo do encerramento das escolas é bem superior ao risco que possa existir”. Disse ainda, segundo o jornal Público, que as escolas “provaram”, durante o 1º período, “ser um espaço de confiança e segurança”.

Compreendo o ministro na sua luta pelo ensino presencial. Em meados de Junho, eu lamentava aqui que “as crianças com contextos familiares económica e culturalmente mais pobres ou socio-emocionalmente mais difíceis, com menos possibilidades de seguir aulas virtuais, sobretudo aquelas para quem a escola já era lugar de fracasso e cansaço, ou melhor, de cansaço dos sucessivos fracassos” ficassem sem escola mais de seis meses e que o ministério da Educação não parecesse nada incomodado com a situação. Noto que, em boa hora, o ministro compreendeu o enorme “custo do encerramento das escolas”.

Entretanto, vários estudos de especialistas britânicos, alemães e suíços, citados em dois artigos da edição de dia 11 do Público, apontam para que o papel da escola na propagação do vírus seja maior do que se pensava, sobretudo ao nível do ensino secundário. Então, se para os mais novos o ensino presencial é indiscutível, quer por razões pedagógicas quer por razões económicas, já para os alunos do secundário e do superior, a balança pende para o ensino à distância. Restam os alunos do 3º ciclo do básico, para os quais eu proporia ensino presencial, para os com mais dificuldades escolares e menos condições de estudo em casa, e ensino à distância, para os menos carentes de apoio ou com mais apoio familiar. Veremos o que o Governo decide.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com