O discurso de Putin

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 22 Setembro 2022
O discurso de Putin
  • Alberto Magalhães

Vladimir Putin tinha tudo pensado e repensado. Uma “operação militar especial”, um passeio triunfal de três dias até Kiev e uma Ucrânia mansa, realinhada com Moscovo. Uma maravilha de plano, que depressa deu para o torto e se tornou um pesadelo. Nem o bombardeamento sistemático das cidades e vilas, nem a tortura e assassinato em massa de civis, quebraram a resistência dos ucranianos. Nem as ameaças apocalípticas, nem a chantagem energética, enfraqueceram o apoio do Ocidente.

No discurso de ontem, Putin admite a, para ele, inesperada e humilhante situação militar na Ucrânia, vendo-se obrigado a ordenar uma mobilização de 300 mil reservistas, face aos sucessivos desaires da sua ocupação criminosa. Claro que os efeitos dessa mobilização levarão tempo a concretizar-se e a qualidade das tropas poderá não ser grande coisa.

No resto, o discurso de Putin traz pouca novidade. A táctica, que parece demencial mas é deliberada, é projectar nos outros os seus próprios demónios: são as ameaças nucleares do Ocidente que o obrigam à chantagem nuclear; se agrediu a Ucrânia foi para se defender de uma brutal agressão da NATO; inspirado e aconselhado por fascistas, financiador da extrema-direita euro-americana, Putin aponta o dedo aos nazi-fascistas que governam a Ucrânia e a querem integrar na UE, esse lugar do mal absoluto e dissoluto.

Novidade: referendos de urgência nos territórios ucranianos ocupados. Três milhões de moradores foram deportados, estão algures na Rússia. Não votarão. Putin vai ter uma grande vitória…esperemos que de Pirro.

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