O discurso sobre o estado da União

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 17 Setembro 2020
O discurso sobre o estado da União
  • Alberto Magalhães

 

 

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, fez ontem o seu primeiro discurso sobre o estado da União. Quando o mundo atravessa a maior crise económica e social desde a II Guerra Mundial. Com o Reino Unido governado por um primeiro-ministro que ameaça desonrar o seu país, violando um acordo que ele próprio assinou. Quando, na vizinha Rússia, Putin continua a envenenar os seus inimigos internos e a ameaçar algumas das suas ex-colónias. Quando se percebe que os EUA deixaram de ser garante da segurança europeia. Quando a China ameaça infectar grande parte do mundo com os seus investimentos e semear a divisão no seio da Europa. Com a Hungria e a Polónia numa deriva cada vez mais populista, autoritária e desrespeitadora dos direitos humanos.

Foi um discurso vigoroso, assertivo e razoavelmente optimista, o discurso de Von der Leyen. Resta saber se será capaz de levar os países membros, ou pelo menos uma grande maioria, a redefinirem e restabelecerem um rumo coerente para a União. Os primeiros testes já estão à vista. Seria bom, para início de caminho, resistir às trafulhices de Boris Johnson com firmeza inabalável e, ao mesmo tempo, usar a mesma firmeza com os governos húngaro e polaco.

Mais difícil e demorada, mas fundamental, a tarefa de contrariar e vencer as forças que, no seio da Europa, minam alegre ou furiosamente, consciente ou despreocupadamente, as raízes, os valores, os costumes, a cultura, a civilização europeia. Fica para uma próxima.

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