O endividamento das famílias

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 02 Março 2018
O endividamento das famílias
  • Rui Mendes

 

 

Na crónica do passado dia 16 referi que os efeitos do crescimento económico do país não foi reflectido nos rendimentos das familias.

Cada vez mais somos um país de baixos salários, porque a aposta deste Governo tem sido na valorização do salário mínimo nacional, muito por imposição do acordo celebrado com os partidos à esquerda, tendo como resultado o crescimento, de ano para ano, daqueles que são remunerados pelo salário mínimo nacional e, em termos relativos, a desvalorização dos níveis salariais seguintes.

Bem sabemos que existe um discurso que mostra um país que não somos. Que mostra um país distante daquele que é o país real, e que infelizmente subsistem muitos problemas. Destes o Governo não só não fala, como não gosta que se falem deles.

Esta semana, a comunicação social deu especial destaque a um desses problemas, o do endividamento das famílias.

Se o endividamento do país é matéria de recorrentes análises, o do endividamento das famílias já assim não o é. Talvez por ser matéria socialmente delicada. Talvez porque este tipo de problema não tenha espaço no discurso optimista do Governo.

Mas este é um problema que afecta milhares de portugueses, e que mostra que o país ainda vive dias difíceis.

As razões do endividamento das famílias têm diferentes origens, sendo as principais o desemprego, a elevada carga fiscal, as penhoras e as execuções fiscais, estas duas últimas, em especial, na maioria dos casos resultam da assumpção de compromissos para além do aceitável, ficando o agregado familiar com encargos superiores aqueles que consegue suportar e, consequentemente, caminhando para sucessivos incumprimentos.

O contexto que actualmente vivemos em nada altera o quadro que gera sobreendividados. Apela-se quanto baste ao consumo, a banca está novamente a permitir a acesso, quase total, ao crédito, em especial o crédito à habitação, o qual representará cerca de ¾ do crédito em incumprimento concedido aos sobreendividados, tendo inclusive o Banco de Portugal já aconselhado para que não se facilite no crédito à habitação.

Acresce que o contexto actual de juros anormalmente baixos não mostrará o real custo do dinheiro.

Conciliar desejos com possibilidades será o caminho mais avisado para que este problema possa diminuir, sendo que se deverá apelar às diferentes responsabilidades para que se reduza um problema que socialmente é devastador.

Até para a semana

Rui Mendes

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