O estado da pandemia

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 23 Outubro 2020
O estado da pandemia
  • Rui Mendes

 

 

Ontem atingiu-se um novo recorde diário com 3270 casos de infetados com a covid-19. Na nossa crónica da passada semana referimos que poderíamos brevemente chegar aos 3000 novos casos. Esta semana ultrapassámos essa barreira, e já nos dizem que é possível em novembro atingirmos os 5000 novos casos diários.

Bem sabemos que este elevado crescimento de novos casos não é exclusivo de Portugal. Em muitos países este crescimento também é alto.

Contudo, este aumento de novos casos, a um ritmo assustador, prova um descontrolo. Não se trata apenas de uma perceção. É uma evidência.

Em Portugal teria havido condições para fazer muito melhor no controlo da pandemia.

Lembramos que os portugueses foram dos que mais acataram as regras aquando do confinamento.

O desespero do Governo é visível.

A forma como a pandemia tem sido gerida e as soluções propostas criam muitas desconfianças. Veja-se o que aconteceu à aplicação StayAway Covid, a proposta de utilização obrigatória da aplicação para além de ter criado uma desnecessária controvérsia, veio matar a aplicação. Com o que se disse certamente que os portugueses ficarão mais receosos com a sua utilização.

O Governo não consegue, e em boa verdade nunca conseguiu, definir regras gerais e claras, que de alguma forma fossem globalmente observadas durante o período pandémico.

Ora diz uma coisa, ora diz o seu contrário. Avalia cada situação per si, impondo regras pouco compreendidas. À última hora define novas regras.

Adotam-se medidas avulsas e, tantas e tantas vezes, fora do tempo.

O Governo é lento em agir. Em boa verdade sempre o foi.

Sempre geriu esta pandemia em função dos tempos políticos. Só que aqueles não são atendidos pela propagação do vírus.

E os resultados aí estão. Maus por sinal.

Nesta fase não foi conseguido, em muitos casos, quebrar cadeias de transmissão, o que permitiu a expansão do vírus e, consequentemente, o aumento do número de infetados.

A verificar-se este ritmo de aumento de casos a pressão sobre os serviços de saúde será cada vez maior e a capacidade de resposta dos serviços será cada vez menor, porquanto terá de responder a mais atendimentos e mais internamentos.

Estes números que vamos conhecendo dia a dia, já há muito tempo que são do conhecimento do Governo, fazem parte de projeções, pelo que não se entende que se adiem medidas, e que assim se deixem crescer  os números de novos infetados e dos que lhe estão associados, sejam os internamentos, sejam os óbitos.

Se a situação pandémica em que nos encontramos é assustadora, porquanto todos sentimos que ela já esteve mais controlada e mais confinada territorialmente, o impacto económico da pandemia é cada vez mais devastador. Ao haver um descontrolo da pandemia, também existirá um maior desequilíbrio económico no país.

É óbvio que todos teremos de ter a responsabilidade comportamental que nos é exigida para combater a propagação do vírus.

Mas estamos certos de que os portugueses têm um grau de responsabilidade superior ao Governo, pelo que não serão os principais culpados do extraordinário aumento da pandemia no país, e muito menos da devastação económica que daí resultará.

Ainda assim sabemos que serão os portugueses a sofrer os seus efeitos.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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